Mercado

7 fatos que resumem a terceira semana de setembro na economia

Semana teve inflação controlada no Brasil e bateria de dados nos EUA e na China

Dólar. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O dólar, a moeda dos EUA, é a mais valiosa do mundo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Guilherme Naldis

O mercado financeiro vive de expectativas: é com as projeções e análises de fatos que os agentes econômicos tomam suas decisões de investimento ou de especulação, seja em um ativo específico, em um setor ou, até mesmo, em um país. Para fazer esses cálculos, um time de economistas faz estimativas todos os dias na tentativa de prever o que vem por aí. Quando eles acertam, o mercado se mantém estável ou, até mesmo, sobe. Quando as coisas fogem do estimado, acontece de tudo, menos estabilidade.

Nesta semana, a economia global deu exemplos para os dois lados: tanto surpresas positivas, que fizeram os mercados avançarem, quanto decepções com os números, que levaram alguns ativos por água abaixo. Mas, além de fatores macroeconômicos, a semana também teve novas tecnologias fazendo preço e um caso de desaparecimento na China que está deixando as autoridades mundiais de cabelo em pé. Bora relembrar!

1. Inflação avançou, mas dentro do esperado

O primeiro grande dado desta semana foi o medidor oficial de inflação do Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na última terça-feira, 12/09, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostrou uma aceleração de 0,23% da taxa de aumento dos preços entre julho e agosto deste ano. Entre agosto do ano passado e o mesmo mês de 2023, a alta foi de 4,61%. 

O número anualizado está dentro da faixa da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), do Banco Central, que vai de 1,75% a 4,75%. Apesar dos preços terem subido no período, a notícia foi lida com bons olhos pelo mercado, que já projetava que o aumento fosse acontecer. 

O que é meta de inflação: entenda a discussão sobre o assunto

A mediana das estimativas recolhidas pela Bloomberg mostrava um incremento ligeiramente maior no número mensal, de 0,28%. E, aí, como não houve surpresa negativa, o Ibovespa reagiu bem e, no dia da divulgação, fechou o pregão em alta de 0,93%, aos 117.968,12 pontos.

O avanço da inflação no período aconteceu, principalmente, por causa do aumento na energia elétrica. Na verdade, foi um desabono. Acontece que, entre junho e julho deste ano, a conta de luz veio mais barata porque houve um desconto de produtividade na usina hidrelétrica de Itaipu, o que fez o preço da eletricidade baixar bastante. Entre o fim de julho e o final de agosto, entretanto, o valor voltou ao seu patamar original – e elevou a maioria dos preços junto consigo, já que muitos setores da economia requerem eletricidade para funcionar e produzir. 

2. Economia nos EUA está dura na queda

Dias depois, uma leva de números dos EUA indicou que a inflação americana talvez não esteja tão sob controle assim.

Na quarta-feira, 14/09, a medida de inflação oficial do país, aferida pelo Consumer Price Index (CPI, ou Índice de Preços ao Consumidor, em português), teve alta de 0,6% no mês passado. No acumulado de 12 meses, a taxa de aumento dos preços foi de 3,7%.

A maior contribuição para o avanço foi a gasolina que, com a alta do petróleo, encareceu entre julho e agosto. E, aí, você já sabe: se a gasolina fica mais cara, tudo que depende do combustível para ser transportado no país encarece também. Afinal, os produtos e comerciantes precisam repassar os preços para os consumidores – numa lógica parecida com o que aconteceu por aqui, no Brasil, com a energia elétrica. 

Ainda assim, a piora inflacionária já era esperada. O que mais preocupava o mercado eram os núcleos da inflação, aqueles itens que são menos voláteis e, por isso, são os fiéis da balança de um cálculo de aumento de preços. Eles tiveram um incremento sutilmente pior que o esperado no período: 0,3%, em vez dos 0,2% das estimativas. O grupo teve alta de 4,3% entre agosto de 2022 e o mesmo mês deste ano. 

Na quinta-feira, 14/09, os órgãos que mensuram a economia dos EUA se empolgaram e divulgaram três dados importantes de uma vez só. Novamente, o resultado surpreendeu – e para baixo. Tanto os novos pedidos de seguro desemprego, que indicam como está o mercado de trabalho do país, quanto o índice de produção ao produtor (PPI, na sigla em inglês) e o volume das vendas no varejo indicaram que o crescimento econômico americano está mais resistente do que o previsto. 

Por isso, agentes do mercado passaram a suspeitar que a inflação do país não esteja tão controlada assim. E, se a taxa de aumento dos preços não está contida, o Federal Reserve, o banco central dos EUA, vai precisar agir. Mas não agora, segundo os especialistas ouvidos pelo Bora Investir: a reunião do Fed da próxima quarta-feira, 20/09, deve manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos intacta. Só que, com os números ruins, pode ser que o encontro seguinte, marcado para novembro, venha com uma nova alta do juro básico.

3. Apple lança iPhone 15

Durante seu evento anual realizado na cidade de Cupertino, no estado da Califórnia, nos EUA, a Apple anunciou o mais novo modelo da sua linha de telefones celulares. O iPhone 15 é feito de titânio reciclável, tem uma entrada de carregador igual a das outras marcas de smartphones e pode custar até R$ 14 mil. Parece salgado, né? Mas, aqui no Bora, ouvimos especialistas em finanças pessoais que vão te ajudar a avaliar se é realmente necessário trocar o seu dispositivo e, se sim, como se organizar para comprar o último modelo.

Segundo Tim Cook, CEO da big tech, o novo celular vai “elevar ainda mais o padrão de qualidade, design e inovação da Apple”. Além do iPhone 15, que conta com quatro variações, o evento também revelou o novo Apple Watch e divulgou o lançamento do Apple Vision Pro para o início de 2024. Todos os aparelhos serão interconectados, segundo o anúncio.

Alguns fãs da marca gostaram das novidades. Outros consumidores, nem tanto. Mas quem não gostou mesmo do novo iPhone foi o mercado, que fez as ações da Apple mergulharem.

4. Lista da Forbes

A edição brasileira da revista Forbes revelou, nesta segunda-feira, 11/09, a sua lista dos brasileiros bilionários em 2023. Ao todo, são 280 pessoas no ranking, com patrimônios somados em R$ 1,522 trilhão. O valor equivale a 15,35% do Produto Interno Bruto (PIB) do País inteiro, que foi de R$ 9,992 trilhões em 2022, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É tanta grana que a revista decidiu setorizar as listagens: tem a escala dos novos bilionário (que entraram para a lista neste ano), a dos ricaços do agro, da indústria, das finanças, e até listagens segmentadas, como a das mulheres mais ricas do Brasil.

Lá fora, também rolou a lista com as pessoas mais ricas de todo o mundo, segundo a mesma revista. Aqui no Bora, nós contamos a história dos cinco primeiros colocados. Alguns deles já nasceram em berços de ouro e conseguiram superar as fortunas das suas famílias com muita criatividade. Outros, eram pessoas comuns que construíram impérios à base de muito sonho e suor. Veja aqui!

5. Drex ou Pix?

O Pix você já conhece de cor e salteado. Provavelmente, deve ter feito ou recebido um hoje mesmo. A ferramenta é tão prática que, pouco menos de três anos do seu lançamento, já se tornou a forma de pagamento mais usada pelos brasileiros de longe, em todas as faixas etárias e estratos sociais. Mas, do ano passado pra cá, o Banco Central começou a ventilar um novo instrumento monetário que também termina com X: o Drex.

A nova moeda digital será uma das pioneiras do mundo e deve impactar significativamente o dia a dia das transações em todo o Brasil. Mas não é exatamente isso que o Pix faz? Então qual a diferença? Basicamente, o Pix é o meio que já atua com o real ‘analógico’, lastreado em cédulas e moedas, que deve ser familiar para você, enquanto o Drex será o dinheiro transferido em si.

Nesta matéria, o Bora Investir explicou as principais diferenças entre as duas tecnologias e como elas devem funcionar em conjunto. Entre outras coisas, a combinação dos dois, por iniciativa do Banco Central do Brasil (BCB), deve facilitar a compra e a venda de bens como automóveis e imóveis, além de propiciar melhores condições de crédito já que a nova moeda vai abarcar, em si mesma, contratos inteligentes que podem dispensar muito burocracia e evitar dores de cabeça. 

6. Estímulos e tensão na China

Do outro lado do planeta, os dados melhores que o esperado da economia chinesa animaram o mercado internacional na reta final da semana. O crescimento para este ano não deve ser grandes coisas, mas o gigante asiático superou as estimativas para uma série de indicadores divulgados na noite de quinta-feira.

As vendas do varejo de agosto subiram 4,6% no acumulado de 12 meses, ao passo que a indústria teve um incremento de produtividade de 4,5%, entre agosto do ano passado e de 2023. As projeções do mercado esperavam altas de 3% e 4%, respectivamente, O desemprego, na mesma toada, caiu de 5,3% para 5,2%. A surpresa positiva fez com que os temores de uma desaceleração perigosa no país fossem amenizados. 

Mas, se a economia deu um respiro, a política está ficando roxa de segurar a respiração. Segundo o Financial Times, o governo dos Estados Unidos acredita que o ministro da Defesa da China, Li Shangfu, que sumiu há mais de duas semanas, foi colocado sob investigação pelas autoridades chinesas.

Para os americanos, o inquérito teria sido aberto após a aquisição de equipamento militar por parte do ministro. As informações são de um oficial de segurança regional e de três outras pessoas que circulam entre os batalhões chineses. Que suspense!

7. Finanças

E para não dizer que não falamos das flores, o Bora Investir trouxe muito conteúdo sobre como ganhar mais dinheiro e gastá-lo da melhor forma possível. Então, aproveitando a toada internacional: se viver de renda já é bom, imagina receber os proventos em dólar! Nesta matéria, te explicamos como é possível.

Para a turma dos precavidos, também tem uma série de dicas valiosas para quem quer se aposentar e viver uma velhice tranquila na praia. O básico você já sabe, né? Garanta sua fonte de renda e certifique-se de preparar um orçamento razoável para a melhor idade. Depois disso, vai ser a hora de avaliar se um imóvel no litoral é mesmo para você. Se sim, sorte a sua! Te explicamos como conquistá-lo aqui.

E, se você acha que os carros elétricos só são melhores para o meio-ambiente, engano seu. Além de estarem cada vez mais populares, os veículos movidos a energia elétrica também possuem potencial financeiro na medida em que suas vantagens ainda chegaram nos financiamentos. Por isso, a expectativa é de que novas oportunidades neste mercado surjam em breve. Fique de olho!

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