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Curiosidades econômicas sobre quatro países com seleções na Copa do Catar

Primeira bolsa de valores do mundo e um país que há décadas está em crise são alguns dos fatos

Bandeiras da Argentina, Espanha, Holanda e Alemanha
Argentina, Espanha, Holanda e Alemanha têm curiosidades econômicas

Algumas das seleções mais tradicionais do futebol representam também grandes economias do mundo. Em alguns casos, tais países se consolidaram economicamente há séculos; em outros, já viveram bons momentos, mas hoje enfrentam dificuldades.

Confira a seguir uma lista com quatro curiosidades econômicas sobre as principais seleções que estão na Copa do Catar.

Holanda – a primeira Bolsa de Valores do mundo

Se Espanha e Portugal lideraram o comércio ultramarino durante os anos 1500, a virada do século assistiu a Holanda se tornar uma das principais economias da Europa.

A ascensão holandesa é explicada, entre outros motivos, pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, criada para facilitar expedições comerciais à Ásia. Em 1602 e sob a iniciativa da Companhia, foi fundada a Bolsa de Valores de Amsterdã, a primeira do mundo.

Uma vez que viagens marinhas eram arriscadas naquela época – devido à tempestades e piratas, por exemplo -, a Bolsa tinha como principal função diluir os custos de tais expedições.

Desse modo, o financiamento de uma viagem não ficava a cargo de uma única pessoa, mas era divido entre diferentes investidores que compravam ações de determinada expedição. Se o navio chegasse ao seu destino e as transações corressem bem, então os lucros eram divididos entre os investidores.

Ao reinjetar dinheiro na economia holandesa, a Bolsa de Amsterdã foi uma responsável direta pelo sucesso econômico do país. Tamanha era a presença da Bolsa no cotidiano dos holandeses, que Joseph De La Vega, autor do primeiro livro sobre mercado financeiro – Confusion de Confusiones -, escreveu em 1688 sobre Amsterdã: “não há nenhuma esquina onde não se fale de ações.”

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Espanha – economia de altos e baixos

Hoje a Espanha é uma das principais economias da Europa, tendo registrado no último ano o quarto maior PIB da União Europeia, U$1,43 trilhões. Porém, o sucesso representado por esse número esconde alguns problemas que o país enfrenta há muitos anos.

Um deles é a elevada taxa de desemprego. Segundo o Instituto Nacional de Estadística (INE), 2021 registrou 13,3% da população sem emprego formal, sendo que 2012 foi o ano do pico mais recente, com 25,8% de desempregados. Também chama a atenção a dívida pública espanhola, que em 2021 totalizou 118,30% do PIB, segundo dados do Banco de España.

Por outro lado, a economia espanhola tem se saído bem em alguns pontos. Segundo o INE, a exportação de serviços – empresas espanholas que atendem clientes no exterior – registrou crescimento de 12,2% em 2021 na comparação com 2020.

Outro fator que movimenta a economia espanhola é o turismo doméstico. Também de acordo com o INE, no segundo trimestre de 2022 91,8% das viagens realizadas por espanhóis tiveram como destino o próprio país, a regiões turísticas como Andaluzia e Catalunha. No total, foram mais de 40 milhões de viagens no período.

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Alemanha – aliança com Catar nas importações de gás

Além do futebol, há outro motivo para a Alemanha estar interessada no Catar. Trata-se do gás natural liquefeito (GNL), fundamental para a matriz energética alemã.

Por cerca de cinquenta anos a Rússia, maior exportador de gás natural do mundo, forneceu o produto para a Alemanha, maior importador da Europa. Porém, desde a eclosão da Guerra da Ucrânia e em resposta a sanções econômicas de países europeus, a Rússia cortou seu suprimento à Europa.

A solução encontrada pela Alemanha foi um acordo firmado com a QatarEnergy, empresa catari e uma das patrocinadoras da atual edição da Copa. Espera-se que a Alemanha receba 2,7 bilhões de metros cúbicos por ano. O acordo entre o país e a QatarEnergy deve entrar em vigor a partir de 2026 e terá duração de quinze anos.

Também com o objetivo de preservar seu suprimento energético, a Alemanha reativou usinas de carvão e petróleo, o que deve comprometer as metas ambienteis alemãs de reduzir suas emissões de gás carbônico.

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Argentina – longo histórico de recessão, mas passado próspero

Dívida externa, desvalorização cambial e empobrecimento da população são alguns dos fatores que por mais de trinta anos vêm assombrando a economia argentina.

Nos últimos tempos, também surgiram os problemas das faltas de reservas do Banco Central e a inflação que chegou a 50% ao ano. Tais fatos levaram a novos pedidos de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à falta de perspectiva sobre um recuperação econômica da Argentina.

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Mesmo com um longo histórico de recessões, o passado Argentino foi próspero. Em seu livro Los Terratenientes de la Pampa Argentina, o historiador Roy Hora afirma que às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o comércio exterior per capita argentino era três vezes maior que a média do resto da América Latina, superando também países desenvolvidos como Canadá e Austrália.

Já na década de vinte, a região dos pampas gerava quase metade do total das exportações latino-americanas e os fazendeiros da região eram reconhecidos como a classe proprietária mais rica da América do Sul.

O debate sobre os motivos que levaram à derrocada da economia argentina se estende até hoje. Apesar de não existir um consenso, um dos argumentos mais citados é a insistência num modelo agroexportador e um processo de industrialização que se estendeu por três décadas – de 40 a 70 -, mas foi insuficiente.

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