Mercado

Investimento não é produto, mas solução, diz Carlos André, da Anbima

Presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais aponta que o mercado financeiro vem se transformando para atender melhor os seus clientes

Carlos, André, presidente da Anbima. Foto: Anbima/Divulgação
Carlos, André, presidente da Anbima. Foto: Anbima/Divulgação

Por Marília Almeida

O novo marco dos fundos entra em vigor em outubro e mudará as responsabilidades dos agentes do mercado financeiro de maneira relevante, diz Carlos André, presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em ´painel do Anbima Summit. “Teremos um período doído de adaptação, mas que vai gerar uma indústria mais dinâmica, eficiente e que beneficia investidor e os emissores de títulos do mercado de capitais”.

O novo arcabouço regulatório é mais um avanço em um ambiente de negócios que vem evoluindo para o conceito de centralidade do cliente, aponta o executivo. “Acho que até já superamos esse conceito e estamos na fase de centralidade na experiência de vida do cliente. Em investimentos precisamos entender as necessidades e objetivos do cliente para entregar um serviço. Investimento não é produto, mas solução”.

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Segundo André, os últimos anos foram importantes em relação à interlocução com reguladores, especialmente com a CVM. “Construímos os alicerces para um ambiente mais moderno. Agora é hora de transformar isso em prol dos negócios. Tornar a indústria mais robusta e conectada com o mundo, capaz de canalizar recursos para projetos de investimento de longo prazo”.

Evolução do mercado

Na visão do executivo, nos últimos cinco anos o mercado de investimentos vem passando por um ciclo virtuoso, de redução de juros. Neste período, novas formas de distribuição se fortaleceram, o que deu uma “chacoalhada” nos participantes do mercado.

“Essa maior competividade fincou as bases para um mercado de investimentos mais resiliente e sólido. O advento da pandemia foi um marco não apenas na vida das pessoas, mas no mundo de investimentos. Houve um grande impulso para a globalização dos investimentos, inclusive democratização do acesso a investimentos no exterior para as pessoas físicas”.

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Olhando para o futuro, o executivo aponta que a discussão é sobre como fomentar investimentos de longo prazo. “É fundamental que o mercado de capitais seja o principal provedor de recursos de longo prazo do país, atraindo investidores institucionais e direcionando dinheiro para projetos. Só dessa forma vamos conseguir desonerar o governo do financiamento de projetos”.

Volta dos investidores para os fundos

Baixo risco, liquidez, rentabilidade e incentivo tributário. Na visão de André, o Brasil parece ser o único país onde investimentos em renda fixa reúnem os quatro atributos. “É uma combinação muito poderosa. O fluxo para esses ativos começou em 2022 e continua forte em 2023”, resume.

Mas a partir de julho André verificou o início de uma reversão de tendência do fluxo negativo que a indústria de fundo viveu de 2022 até junho em 2023. “Observamos uma volta de investidores para ativos de maior risco, que é interessante dado que começou o ciclo de corte dos juros no país”.

Segundo o executivo, os fundos de crédito privado passaram por problemas no início do ano de forma madura. “Foi uma prova de fogo, mas o mercado pagou os resgates e reagiu bem”.

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