Renda fixa

Fim da renda fixa? Veja como a queda da Selic afeta seus títulos

Segundo especialistas ouvidos pelo Bora Investir, a expectativa de cortes na taxa básica de juros não torna a renda fixa menos atrativa por enquanto

Dados com setas exemplificam o aumento e baixa de juros; renda fixa. Foto: AdobeStock
A Selic é taxa básica de juros do Brasil, e grande parte dos investimentos de renda fixa se baseiam nela

Por Guilherme Naldis

O mercado já formou um consenso de que, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, deve ser reduzida. Os indícios de que isso deve acontecer passam pelos números decrescentes da inflação e sinais emitidos pela própria autarquia. 

Mas, se o juro básico cair, os investimentos de renda fixa vão perder rentabilidade?

A resposta é não. Afinal, mesmo que a Selic seja reduzida, a renda fixa continuará tomando como referência uma taxa de juros alta por um bom tempo. Segundo Bruno Reis, responsável pela mesa de crédito privado da CM Capital, os cortes esperados na Selic devem apenas colaborar para que os investidores procurem outros ativos em busca de maiores retornos. 

“Ainda estamos falando de uma Selic de mais de 10% por alguns anos, segundo a curva de juros. O juro real vai continuar sendo um dos maiores do mundo, o que ainda oferece vantagens e benefícios na renda renda fixa”, diz.

Por que a queda da Selic favorece a renda variável?

A Selic é o juro básico do Brasil. Quando ela é elevada, os empréstimos utilizam a taxa como referência. Isso vale tanto para o parcelamento do seu cartão de crédito quanto para uma empresa que quer financiar a construção de uma fábrica. Portanto, com a alta da Selic, a população consome menos, já que fica mais caro se endividar. As empresas crescem menos pela mesma razão, o que afeta suas ações na bolsa de valores.

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Mas, se o juro básico cair, as empresas devem voltar a se expandir e captar no mercado de capitais, o que irá gerar mais opções de alocação para os investidores nas ações. Com a redução da Selic, a economia é estimulada e, consequentemente, as empresas que dependem de financiamentos encontram custos de captação menores. Isso gera crescimento dos lucros e, potencialmente, no aumento dos preços dos papéis.

Por que, mesmo assim, a renda fixa ainda vale a pena? 

Segundo Reis, o mercado já precificou as próximas quedas da Selic, o que também já se refletiu nos ativos que temos disponíveis hoje. Além disso, mesmo que o juro básico seja reduzido sequencialmente até o final do ano, o rendimento desta classe de ativos continuará sendo alta.

Por fim, mesmo que num futuro mais distante a renda variável volte a superar a renda fixa, os investimentos mais conservadores não vão perder o seu espaço. Afinal, nem só de risco vive o investidor: toda carteira balanceada tem suas camadas de proteção, como a reserva de emergência, de valor e de oportunidade, bem como investimentos de longo prazo, para a aposentadoria.

Como ganhar dinheiro com a renda fixa diante da queda da Selic?

O CEO da SuperRico, Carlos Castro, explicou, em entrevista ao Bora Investir, que a renda fixa pós-fixada vai acompanhar a Selic, cuja expectativa é de encerrar 2023 a 12% ao ano, segundo o boletim Focus. Contudo, para o curtíssimo prazo, essa modalidade vai ter rentabilidade superior aos ativos pré-fixados e ligados à inflação, que são mais indicados para o médio prazo.

Castro explica que, para compararmos os retornos, é preciso imaginar que a Selic caia de acordo com a curva de juros. A estimativa coletada pelo boletim Focus para 2026 é de uma taxa de cerca de 8,65% ao ano, ao passo que um título pré-fixado irá pagar, para o mesmo ano, 10,07% ao ano. 

“Por isso, para quem quer operar no curto prazo, vale a pena escolher um título que dê retorno de 12%. Mas, se você vai escolher o prefixado agora, o retorno de 12% será maior daqui a dois anos se a conjuntura econômica projetada pelo Banco Central se confirmar”, diz. 

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Já o Tesouro IPCA é mais recomendado para o longo prazo, com vencimentos para, pelo menos, 2029. Para este prazo, os títulos estão pagando 5,04%. Se o investidor comprar este papel agora, e se a inflação se confirmar em 4,95%, o retorno estimado por Castro é de 9,94% neste ano. Olhando para 2029 e estimando que a Selic caia para os patamares do Focus, o Tesouro IPCA terá retornos em linha com o do Tesouro Selic.

“Esses ativos têm de ter uma utilização específica numa carteira. O pós-fixado tem uma liquidez maior e deve ser usado para o curto ou curtíssimo prazo. Já o pré tem mais volatilidade, e combina com o longo prazo, principalmente para quem quer uma carteira que supere a inflação”, diz. Para ele, “é preciso ter uma carteira balanceada com os três títulos, respeitando o perfil de investidor e a disponibilidade para tomada de risco”.

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