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7 regras do futebol que valem para seus investimentos

Alexandre Reame, Head da GCB Sports, comenta sobre as regras que valem tanto no universo do futebol como no de investimentos

Bola de futebol e notas de dinheiro. Foto: Adobe Stock
Ter uma estratégia é essencial em qualquer equipe, e nos investimentos não seria diferente. Foto: Adobe Stock

Por João Paulo dos Santos

Se engana quem pensa que futebol e investimentos não têm nenhuma ligação. Há regras e comportamentos que são preciosos tanto para profissionais do meio esportivo, quanto para investidores, seja qual o nível.

Por isso, o B3 Bora Investir com o auxílio de Alexandre Reame, Head da GCB Sports, braço da GRCB Consultoria focado em atletas e ex-atletas, separou 7 regras do futebol que valem para o universo dos investimentos.

Ex-jogador de grandes clubes brasileiros como Grêmio e São Paulo, o Head da GCB Sports também atuou no exterior, no Sporting Clube de Portugal, e hoje alia seus conhecimentos adquiridos como atleta ao universo de investimentos.

Confira a análise de Alexandre Reame sobre as 7 regras do futebol que podem, e devem, ser aplicadas nos investimentos:

1. Ter uma estratégia

Isso é essencial em qualquer equipe, e nos investimentos não seria diferente. É preciso escolher bem o esquema tático (investimentos que comporão o portfólio) e definir em cada jogo qual estratégia será adotada.

Vimos na estreia da Copa a seleção japonesa vencendo a multicampeã Alemanha em uma virada histórica, assim como também a Arábia Saudita aplicando uma virada totalmente inesperada pra cima da favoritíssima Argentina. Esses resultados só foram possíveis porque tanto o Japão quanto a Arábia utilizaram estratégias certeiras, conseguiram aguentar a pressão ao se protegerem muito bem na defesa e na segunda etapa, marcando 2 gols em contra-ataques.

Nos investimentos é parecido. Ao aplicar a estratégia correta para cada situação, podemos proteger nosso patrimônio de perdas relevantes em momentos de crises e também potencializar e multiplicar o patrimônio em momentos favoráveis do mercado, apenas com a ação correta para cada situação. 

2. Conhecimento do jogo

A regra básica para se obter êxito em qualquer coisa que façamos nesta vida é ter o mínimo de conhecimento daquilo que nos propusemos a fazer. Dito isso, assim também é no futebol e nos investimentos: treinar bem as jogadas, analisar o adversário e saber as características de cada jogador são primordiais para uma equipe se sobressair à outra. Da mesma forma, para rentabilizar uma carteira de investimentos de forma saudável e sustentável no longo prazo é preciso conhecer profundamente cada um dos ativos que irá compor seu portfólio.

O mais legal de se aprofundar em conhecer os fundamentos por trás dos ativos é o fato de que você consegue isolar o fator emocional nas tomadas de decisões em momentos turbulentos do mercado. Baseado somente no racional, nos fundamentos do ativo e no conhecimento profundo que se tem sobre o mesmo, a chance de você tomar a melhor decisão em um cenário de turbulência é extremamente grande.

Porém, ressalto a importância de rever sua tese de investimento para determinado ativo de tempos em tempos, analisando balanços para saber se os fundamentos daquele ativo seguem os mesmos, pois se você se acomodar e não tiver este cuidado de analisar, pode ser que o ativo já tenha perdido os fundamentos e provavelmente você perderá dinheiro caso não tenha enxergado isso.

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3. Diversidade de jogadas

Uma equipe que tem apenas uma jogada acaba se tornando presa fácil dos adversários, sendo derrotada facilmente, por isso são treinadas várias jogadas, para quando o jogo estiver complicado, basta o treinador dar uma ordem para que uma outra jogada treinada seja executada, o que muitas vezes surpreende o adversário e contribui para vencer uma partida.

A diversificação de uma carteira de investimentos é o primeiro passo para ter “tranquilidade” em momentos de “stress” do mercado. O fato de ter diversificado seu portfólio significa que você terá parte destes ativos seguramente sofrendo junto com o mercado em momentos de crise ao lado de ativos que se beneficiarão com a crise, o que trará equilíbrio e sustentabilidade para sua carteira, te afastando cada vez mais do risco da ruína. 

4. Ter paciência e disciplina 

Sou ex-atleta profissional e sei muito bem o que essas duas palavras representam para mim. Ao longo de toda minha carreira eu tive que trabalhar a paciência diariamente em situações do dia a dia do cotidiano de um atleta, mas o que mais eu aprendi foi sobre ter disciplina.

Se para a carreira de um atleta, a disciplina e a paciência são extremamente importantes, nos investimentos então, nem se fala. Esses são dois dos mais importantes pilares da tese de investimento. Seguramente o investidor que sabe cultivar essas duas virtudes está muito bem encaminhado para alcançar seus objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo. 

5. Ter um bom técnico

Trabalhei com treinadores renomados ao longo da minha carreira, como Carlos Alberto Parreira, Carpegiani, Ricardo Gomes, Émerson Leão, entre outros. Aprendi muito com todos eles e uma coisa que percebi é que o treinador é peça fundamental para qualquer time. Trazendo essa analogia para os investimentos, é fundamental escolhermos bons gestores para gerir nosso patrimônio.

Do mesmo modo que existem os bons gestores também existem os maus gestores e isso pode fazer você atrasar/adiar seus planos e metas financeiras caso você não consiga perceber o quanto antes que o treinador/gestor que você escolheu está desalinhado com seu estilo de jogo/perfil de investidor. Neste caso você deve agir rápido para corrigir a rota e confiar o seu patrimônio nas mãos de um gestor competente e confiável.

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6. Se defender, mas não deixar de atacar 

Essa tática é infalível, defender bem e atacar com responsabilidade. “Um grande time começa com um grande goleiro”… certamente você já deve ter ouvido esta frase. Pois bem: ela retrata a ideia de que um grande time, que ganha títulos, tem uma defesa sólida, a começar pelo goleiro. No mundo dos investimentos acredito que esta seja a estratégia mais sólida e sustentável para o longo prazo.

É preciso proteger patrimônio, escolher ativos de baixo risco para a maior parte do portfólio, mas também não deixar de diversificar uma pequena parte do patrimônio em ativos mais voláteis (renda variável), pois eles podem potencializar e multiplicar seu patrimônio de forma exponencial no longo prazo — claro, sabendo escolher os melhores ativos para compor a posição em renda variável.

7. Não se acomodar

O jogador que se acomoda vai para o banco de reservas, depois nem é mais relacionado para os jogos e por último o clube rescinde o contrato por justa causa. Se é você mesmo(a) quem faz a gestão ativa do seu patrimônio, é essencial você ter tempo para acompanhar seus investimentos, pois de tempos em tempos é preciso fazer um rebalanceamento na carteira para deixá-la equilibrada novamente.

Não é fácil fazer a gestão ativa, pois demanda muito tempo para se atualizar diariamente sobre o mercado financeiro, cenário micro e macro, inflação, taxa de juros, estudar para aprender cada vez mais, fazer as operações de rebalanceamento sempre que necessário etc.. é aí que entra o trabalho de um gestor profissional, justamente para suprir essa lacuna, trazendo uma gestão ativa profissional para dar tranquilidade àqueles que não têm tempo ou não querem se aprofundar no tema investimentos e preferem delegar.

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