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Onde investir para viajar nas férias ou no feriado prolongado

Especialistas concordam: não há por que se endividar por conta de uma viagem. É possível planejá-la para que, assim que o passeio terminar, todas as despesas estejam quitadas

Viagem e custos. Foto: Adobe Stock
Viagem e custos. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Faltando uma semana para as férias escolares de julho, muita gente já começa a sonhar com as aguardadas férias de verão ou mesmo suas férias pessoais do trabalho.

Antes de sair parcelando a viagem dos seus sonhos no cartão de crédito, especialistas concordam: não há por que se endividar por conta de uma viagem. De forma a evitar estourar o orçamento, é possível planejá-la para que, assim que o passeio terminar, todas as despesas estejam quitadas. Este deve ser o objetivo do viajante.

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Veja abaixo dicas de planejamento e onde investir para uma viagem de férias ou em um feriado prolongado:

Onde investir para uma viagem?

Por conta do prazo curto do objetivo, de até 12 meses, não há por que inventar moda: a opção mais segura para investir o dinheiro da viagem será em títulos pós-fixados que acompanham a Selic, como o Tesouro Selic e CDBs, seja com liquidez diária ou com vencimento até pouco antes da data da viagem.

Um CDB sem liquidez diária oferece um rendimento maior do que os que permitem resgates diários, diz Nayra Sombra, sócia da HCI Invest e planejadora financeira certificada pela Planejar. Enquanto um CDB com liquidez diária está pagando de 100% a 103% do CDI, um CDB com vencimento em 1 ano (25/06/24) está pagando entre 111% e 113% do CDI.

“É uma diferença relevante para quem vai investir o dinheiro do 13º salário ou um bônus durante um ano. Já se o intuito for guardar um valor a cada mês até a data da viagem, a diferença entre ambos os títulos será menor”.

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Ou seja, se o cliente aplicar R$ 10 mil (de um bônus ou 13º salário, por exemplo) por 1 ano, terá uma rentabilidade líquida de R$ 1.040 em um CDB com liquidez diária que renda 100% do CDI. Já em um CDB sem liquidez, que pague 111% do CDI, terá R$ 1.154,40. Sombra considerou o CDI de 13% ao ano e a alíquota de 20% de Imposto de Renda sobre o rendimento.

A poupança não é recomendada para esse investimento. Além de sua baixa rentabilidade (equivalente a 70% da Selic), é necessário lembrar que a aplicação rende apenas após a data de aniversário. Ou seja, se o investimento foi feito no dia 15, o rendimento será gerado apenas no dia 15 do mês posterior. Portanto, caso o viajante precise resgatar o dinheiro no meio do mês para levá-lo na viagem, perderá o rendimento de um mês inteiro.

Um mês antes da viagem, é recomendado não investir: apenas deixar o dinheiro na conta corrente. Isso porque, caso o dinheiro seja aplicado e retirado em menos de um mês, haverá a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Como o tributo vai comer toda a rentabilidade, é melhor evitar a dor de cabeça de colocar e retirar o investimento”, diz Sombra.

Gastos maiores devem entrar no orçamento mensal

O investimento mensal pode se concentrar nas despesas que irão ocorrer durante a viagem, como alimentação e passeios. É recomendável, ao estimar esses gastos, guardar de 10% a 20% mais, diz Sombra, da Planejar. “Sempre surgem despesas imprevistas”.

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Já outros gastos maiores, como passagens aéreas e hospedagem, exigem compra com antecedência. Neste caso, se o orçamento estiver apertado e não houver economia anterior, eles podem ser parcelados no cartão de crédito e diluídos no orçamento mensal até a data da viagem, recomenda a planejadora. “Dessa forma é possível aproveitar datas que promovem descontos”.

Viagens internacionais exigem compra de moeda aos poucos

Se o destino for um país no qual a moeda é mais valorizada que o real, como o dólar e o euro, a dica é investir metade do valor destinado a despesas durante a viagem nas aplicações já mencionadas e a outra metade para comprar a moeda aos poucos.

O ideal é converter parte dos recursos necessários à viagem para a moeda do destino todos os meses. O valor deve ser depositado em um cartão pré-pago ou de débito sobre o qual incida a alíquota de 1% de IOF, diz Carlos Castro, CEO da plataforma de planejamento financeiro SuperRico. “O viajante deve evitar realizar gastos em seu cartão de crédito durante a viagem, já que sobre o plástico incide 6,38% de IOF”.

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Como é difícil estimar a variação da moeda, especialistas recomendam sempre fazer um preço médio, de forma a diminuir o risco de realizar uma única compra da moeda em um momento de alta da cotação.Já em países com câmbio desvalorizado em relação ao real, como a Argentina, é recomendável investir o dinheiro e convertê-lo para a moeda de uma vez só, pouco antes da viagem. “Realizar remessas para o exterior via Transferwise ou Western Union e retirar o dinheiro em caixas quando chegar ao país é uma opção segura e acessível”, conclui Castro.

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