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Tesouro Educa+: novo título garante dinheiro para a faculdade dos filhos

Similar ao recém-lançado Renda+, título voltado para custear estudos, distribuirá renda mensal por 5 anos. Taxa de custódia será zero para quem carregar o título até o vencimento

Toque de campainha no lançamento do Tesouro Educa+. Foto: Cauê Diniz/ Divulgação
Toque de campainha no lançamento do Tesouro Educa+. Foto: Cauê Diniz/ Divulgação

Por Marília Almeida

Começou a ser negociado nesta terça-feira, 1/8, na bolsa de valores, o Tesouro Educa+, novo título do Tesouro Direto lançado pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3.

O objetivo da nova aplicação financeira é auxiliar os brasileiros a conquistarem uma renda complementar para custear estudos, sejam eles de ensino superior, especialização, cursinho pré-vestibular e até mesmo uma escola particular durante o ensino médio.

Para marcar o lançamento do título, foi realizado um toque de campainha na B3. O evento de lançamento contou com a participação do Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, do CEO da B3, Gilson Finkelsztain, e de um dos especialistas que inspirou a criação do título, o chairman da Mcube Investment Technologies, Arun Muralidhar.

+ Renda+ permite poupar até 40% mais para a aposentadoria do que outros investimentos

“Investir com objetivos bem definidos nos ajuda a manter o foco e aumenta as chances de concluirmos o que planejamos. Quando os produtos são desenhados para esses objetivos, já trazem embutida uma estrutura que ajuda o investidor a se organizar para chegar no resultado esperado”, afirma Finkelsztain. “Acreditamos que o aumento de investidores e do capital investido passa por inovações como essa”.

O funcionamento do Educa+ é similar ao do Tesouro Renda+, lançado em janeiro e que já registra R$ 1 bilhão de aplicações, feitas por 52 mil investidores. O título amortiza todo o fluxo investido no produto em 240 prestações mensais com o objetivo de ser uma renda auxiliar no período da aposentadoria.

Segundo dados do Tesouro Nacional, apenas 24% das pessoas com idade entre 25 e 34 anos cursaram o ensino superior no país. A média dos países desenvolvidos, que integram a OCDE, é 54%. Além disso, 83% da população brasileira com mais de 25 anos não tem diploma universitário. Quem conclui um curso superior recebe aproximadamente o dobro de renda de quem não tem essa formação.

“Esperamos que o Educa+ tenha mais sucesso do que o Renda+, pois seu público será mais abrangente”, aponta Paulo Marques, coordenador de suporte ao planejamento estratégico da dívida pública do Tesouro Nacional.

Quais as diferenças entre o Renda+ e o Educa+?

A principal diferença entre o Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+ é o prazo de recebimento da renda a partir dos recursos acumulados, que varia conforme o objetivo financeiro. Enquanto no Renda+ o objetivo é acumular recursos para gerar uma renda durante 20 anos, no Educa+ o intuito é criar uma reserva para ter uma renda mensal por um período de cinco anos, prazo máximo de um curso superior.

Outra diferença é o prazo de vencimento dos títulos, novamente por conta do objetivo financeiro. Enquanto a reserva para educação de um filho se inicia quando a criança nasce, ou seja, costuma durar 18 anos, a reserva para aposentadoria do Renda+ tem um prazo maior de acumulação. O título mais longo do Educa+ tem prazo de 23 anos, enquanto o título mais curto do Renda+ vence em 27 anos.

Renda+ foi pensado até para quem ganha pouco e busca uma boa aposentadoria

O benefício da isenção da taxa sobre a renda é menor no Educa+ do que no Renda+. O investidor não paga nenhuma taxa sobre a renda até o limite de quatro salários mínimos, enquanto no Renda+ esse limite sobe para seis salários mínimos. 

Assim como o Renda+, a partir dessa faixa salarial é cobrada uma taxa de 0,10% ao ano sobre o excedente. Marques ressalta que, considerando que uma faculdade tem mensalidade média de R$ 500 no país, o valor de quatro salários mínimos abrange quase a totalidade dos custos em instituições de ensino no país.

Ambos os títulos são indexados ao IPCA e seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda, assim como outros títulos do Tesouro Direto. Quanto mais tempo você manter o dinheiro aplicado no título, menos imposto irá pagar. A menor alíquota, de 15% sobre o rendimento, é cobrada após dois anos de investimento.

Parentes e amigos poderão contribuir com a reserva

A partir de outubro, será possível que parentes e amigos da criança ou adolescente, como avós, tios e padrinhos, possam contribuir para a reserva educacional. A ideia é que uma conta seja criada no nome da criança ou adolescente e parentes possam contribuir com ela a partir do recebimento de um link com um QR code.

O Tesouro Nacional pretende começar a distribuir, também em outubro, gift cards do Tesouro Educa+, que serão outra forma de colaborar com a reserva em datas comemorativas, como Natal e aniversários.

+ Quanto investir no Renda+ para ter renda de R$ 5 mil em 20 anos?

“O Tesouro Educa+ representa uma iniciativa pioneira no Brasil, que visa levar a educação financeira para dentro dos lares. Ao engajar toda a rede de suporte familiar e amigos, queremos contribuir significativamente para um futuro educacional mais sólido”, disse Rogério Ceron, Secretário do Tesouro Nacional, durante o evento.

A ideia também é, no futuro, permitir que contribuições ao Educa+ possam ser dadas como benefícios por empresas e até mesmo Prefeituras que enfrentam evasão de alunos no ensino médio. “Pensamos em estender esse investimento colaborativo para outros títulos do Tesouro”, completa Marques, do Tesouro Nacional.

Como funciona o Tesouro Educa+

O investidor poderá escolher entre os 16 títulos disponíveis, de acordo com o ano de vencimento. A primeira conversão de renda começa em 2026 e a cada ano posterior. Após o vencimento do título, o investidor receberá renda mensal por cinco anos a partir do dia 15 de janeiro do ano escolhido para o início do recebimento.

Os títulos do Tesouro Educa+ garantem proteção contra efeitos da inflação, com correção pelo IPCA, além de uma taxa real. Os investimentos possuem carência de 60 dias e, após esse período, é possível vender os títulos ao preço de mercado.

Qual o custo do novo título do Tesouro?

Os títulos levados até o vencimento terão como benefício a isenção da taxa de custódia na B3.

A venda antecipada de 0 a 7 anos terá incidência de taxa sobre o valor vendido de 0,50% ao ano, de 7 a 14 anos terá taxa de 0,20% ao ano e acima de 14 anos terá taxa sobre o valor vendido de 0,10% ao ano. O vencimento do título só ocorre após o pagamento de 60 parcelas. 

O investidor não paga nenhuma taxa sobre as rendas que receber até o limite de quatro salários mínimos, no valor vigente na data de recebimento. Acima dessa faixa é cobrada uma taxa de 0,10% ao ano apenas sobre o excedente.

Como investir no Educa+?

Para saber mais sobre o lançamento e começar a investir, acesse o site do Tesouro Direto ou entre em contato com a sua corretora.

Assim como o Renda+, o Educa+ permite simular quanto será necessário aplicar para obter a renda desejada no vencimento do título.

Marques, do Tesouro, aponta a importância de começar a reserva para educação cedo, quando o esforço de poupar será bem menor devido ao efeito dos juros compostos ao longo do tempo.

“Para que a criança tenha uma renda de R$ 500 durante cinco anos a partir dos 18 anos, é necessário poupar R$ 164 por mês, caso o investimento seja iniciado aos 7 anos, e R$ 81 por mês, caso o investimento comece a ser feito a partir do primeiro ano de vida da criança.

Histórico do Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional de venda de títulos públicos federais para pessoas físicas. Lançado em 2002, surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, fomentar a formação de poupança e ser instrumento de educação financeira. Desde o lançamento, as negociações da plataforma são realizadas por meio da infraestrutura da B3.

+ Onde investir reserva de emergência: Tesouro, CDB, fundo, LCIs ou conta remunerada?

Atualmente, o programa conta com mais de 2,2 milhões de investidores ativos e mais de R$ 120 bilhões de estoque. A emissão de títulos é garantida pelo Tesouro Nacional, as negociações são realizadas pela internet e o valor mínimo de investimento é de aproximadamente R$ 30. 

O produto oferece títulos com diferentes tipos de rentabilidade (prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia, a Selic), diferentes prazos de vencimento e fluxos de remuneração. Além disso, oferece liquidez diária e liquidação de resgate no mesmo dia. Os títulos públicos têm o menor risco de crédito do mercado.

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