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Material escolar mais em conta? Saiba como conseguir produtos com melhores preços

Após reajuste de até 30% no material escolar, especialistas e consumidores dão dicas de como economizar

Material escolar. Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Para quem é mãe e pai, o começo de ano sempre promete grandes desafios. Afinal de contas, é hora de comprar o material escolar dos filhos. E se você sentiu um friozinho na barriga só de pensar nos preços dos produtos, saiba que este ano não será muito fácil.

Afinal, segundo a Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), há uma alta de 20% a 30% no valor desses itens em relação ao ano passado, muito em razão da alta do dólar frente ao real. 

Para Lai Santiago, educadora financeira da fintech  de crédito Open Co, o aumento no preço da matéria-prima, como o papel, por exemplo, além da inflação da China, que é a principal exportadora, e o aumento do valor cobrado pelo frete, têm influenciado a alta desses itens, que, em sua maioria, são importados.

De olho na variação de preços

Assim, além dos gastos relativos ao começo do ano, que incluem o IPVA, IPTU e mensalidade escolar, pais e familiares encontram outro desafio ao procurar material escolar: preços altos e grandes variações. Em pesquisa recente do Procon SP, por exemplo, foi indicado que os preços desses itens estão variando de 100% a 260%, dependendo da loja escolhida. 

Com uma discrepância tão grande de valores entre as lojas, parece uma missão impossível conseguir encontrar material mais barato — mas não é. Apesar dos 260% de variação assustarem de início, são facilmente explicados pelo poder de compra e venda de cada estabelecimento. 

Lai explica que, como itens desse tipo são vendidos tanto em comércios pequenos e locais, quanto em grandes marketplaces, os preços vão variar seguindo a quantidade de produto disponível e comprado. Logo, você vai encontrar, em grandes varejos, produtos mais em conta.

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Inclusive, a internet também tem sido uma aliada dos pais na busca por preços mais baixos. A dentista Júlia Sevaroli, 24, conta que, ao receber a lista de material solicitado pela escola da filha, que irá para o maternal, a primeira coisa que fez foi comparar entre lojas do bairro e em sites. 

Essa tática também é utilizada pela advogada Danielle Moura, 36, que, ao fazer as compras dos itens para a filha que está indo para o 3º ano do Ensino Fundamental, se deparou com valores bem acima dos que ela pagou no ano passado. Nesse processo de comparação, ela optou por adquirir produtos no e-commerce por conta das promoções em itens escolares. 

Ferramentas para comparar preços

Por mais que o desconto seja grande dependendo do site, a gente sabe que é trabalhoso comparar diversos produtos. Sem esquecer que muitas abas abertas no navegador podem te desincentivar. Mas fica em paz que a gente te dá uma mãozinha.

Existem sites de comparação de preços, como o Zoom e o Buscapé, ou até mesmo plugins e extensões para o navegador que fazem esse processo para você, além de acharem cupons e cashback. Com tanta facilidade, não tem desculpa para pagar caro.

Mas, atenção. Ainda que a diferença de preços entre lojas e sites seja natural, é importante ficar atento com valores muito baixos ou muito altos. Danielle aponta para os perigos existentes nessa época em que os pais procuram por material escolar. “Desconfie caso a discrepância de valores seja gritante, se o valor estiver muito aquém da média praticada, porque pode se tratar de fraude. Além disso, sempre é válido uma pesquisa em lojas físicas, online, e troca de dicas com outras mães”, conta.

Quanto se gasta para comprar um material? 

Essa conta pode ser bem difícil, principalmente porque depende da série que a criança ou o jovem estuda, e do perfil da escola, claro. Mas, algumas mães puderam nos dar uma base de quanto é possível gastar com os produtos. 

A Júlia, por exemplo, gastou, em média, R$ 450 com os itens para o maternal. Esse valor é teoricamente inferior ao que ela acreditaria ter que dedicar, mas, como a filha ganhou a mochila, a lancheira e o estojo, a compra ficou mais barata.

Já Danielle costuma gastar cerca de R$ 2 mil com o material escolar da filha. Neste ano, ela já desembolsou R$ 500. Mas acredita que, no final, o valor total estará em torno de R$ 4.900, principalmente porque só os livros didáticos solicitados pela escola já custam R$ 2.900. 

Auxílio bem-vindo

Por outro lado, os alunos da rede pública da cidade de São Paulo, como o filho da Jéssica Morais de Matos, 27, possuem um auxílio da prefeitura que consegue abranger quase todos os gastos. A analista administrativa conta que a prefeitura disponibiliza uma lista com os valores referentes a cada série. Como seu filho de 5 anos está indo para o Jardim II, ela tem acesso a R$ 149, que serão destinados aos itens básicos da lista. 

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Mesmo com essa quantia extra, Jéssica conta que, em média, desembolsa em torno de R$ 250 para cobrir toda a lista, principalmente mochilas, estojos e lancheiras. Para ela, esses itens são os que mais encarecem a lista, além de serem também os que mais apresentam variações de preços. “As crianças possuem gostos e querem mudar constantemente de material. Buscam o item que está mais famoso e os preços sobem.” Com temas de desenhos e personagens que as crianças amam, um kit com esses três itens pode ultrapassar os R$ 500, por exemplo. 

Na pesquisa do Procon, os itens mais caros foram os lápis de cor, o giz de cera e a lapiseira. A caneta esferográfica foi a que mais apresentou aumento do ano passado para cá: cerca de 13,95%. Apesar disso, Jéssica acredita que são itens possíveis de serem contornados, uma vez que existem marcas inferiores ou não tão famosas que suprem as necessidades.

Como economizar?

Além das dicas dadas pelas mães, Lai Santiago separou 8 dicas para você conseguir deixar o material escolar mais em conta. Veja só!

Verifique quais itens já estão disponíveis em casa

Uma cola, uma tesoura, um apontador… Itens simples de escritório podem estar sobrando aí e você nem percebeu. Mas fazem grande diferença na soma final.

Compare os preços em vários estabelecimentos diferentes 

Lembra do que discutimos ali em cima? Não deixe de consultar os sites de comparação e também as lojas próximas de você.

Compras maiores tendem a ter mais descontos

Por isso, tente combinar com outros familiares ou outros pais uma compra em conjunto. Assim, em quantidades maiores, os descontos podem aumentar e o preço será melhor para todo mundo.

Compre material usado, se possível

Pesquise, principalmente, livros didáticos usados. Às vezes, eles podem estar em um bom estado de conservação e você consegue economizar um bom dinheiro. Só com livros, por exemplo, Danielle desembolsou quase R$ 3 mil. Imagina só?

Todas as formas de desconto valem a pena

Procure por cupons de desconto na internet, programas de fidelidade e cashback dos lojistas e operadoras de cartão. Pode parecer que 10% ou 15% é pouco, mas, no final, este montante vai aliviar bem seu bolso. Fica a dica.

Vá às compras sem os filhos ou ensine sobre escolhas

Deixar os filhos em casa pode ser muito difícil, principalmente porque a escolha de materiais tende a ser um momento de diversão para eles. Mas, muitas vezes, as crianças não entendem que um caderno custa o triplo do preço apenas por ter um design ou uma estampa diferente do outro. Uma opção, nesses casos, que já pode ser um ensinamento precioso, é orientar sobre como precisamos fazer escolhas. Se a criança levar o caderno mais caro, por exemplo, será preciso economizar com outras coisas.

Nunca é tarde para pechinchar 

Não tenha vergonha de pedir descontos, inclusive de perguntar se há mudança no preço a depender da forma de pagamento, por exemplo. Mas é importante fazer isso em mais de uma loja para realmente conseguir o melhor preço.

Quanto mais cedo comprar, melhor

Algumas escolas mandam a lista de materiais um pouco tarde. Mas certos itens que já são esperados, como lápis de cor, lapiseira, tesoura, cola, mochila, entre outros, podem ser adquiridos meses antes. Assim, você evita sobrecarregar o orçamento no início do ano, que já tem mais gastos, e também evita os preços mais salgados pela alta procura.

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