Organizar as contas

5 passos para melhorar sua relação com o dinheiro

Endividamentos, compulsões e gastos desnecessários atrapalham o equilíbrio das finanças. Veja como criar um caminho positivo com seu bolso

Investimentos e consistência. Foto: Adobe Stock
De forma prática, ser consistente nos investimentos é fazer aportes de forma periódica. Foto: Adobe Stock

Por Guilherme Naldis

Há quem concorde e discorde do provérbio que diz que “dinheiro não traz felicidade”. Mas se tem uma coisa que é certa sobre o dinheiro é que ele pode trazer muita tristeza e dor de cabeça. Segundo Paula Bazzo, planejadora financeira da SuperRico, em média, o brasileiro não tem uma boa relação com o dinheiro.

“No nosso país, a cultura de cuidar bem das finanças pessoais só começou a ser alimentada há alguns anos. Com uma certa dificuldade, algumas iniciativas tentam implementar educação financeira nas escolas e nas empresas”, afirma.

Em poucas palavras, uma boa relação com o dinheiro é aquela em que a pessoa usa o dinheiro e não o contrário. Ou seja: o dinheiro é uma ferramenta, e não um objetivo ou um desafio.

Como melhorar a relação com o dinheiro?

Bazzo explica que muitas pessoas aprendem a ganhar dinheiro, mas não sabem como gastá-lo: “Existe um falso entendimento de que receber um salário pressupõe usá-lo de forma otimizada, inteligente e coerente com os meus objetivos. Não é isso que a gente vê, visto que a nossa população tem cerca de 80% de endividados”, diz. 

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Por isso, é necessário reconhecer a situação atual e fazer um diagnóstico das suas finanças. Somente assim será possível identificar os problemas mais e menos óbvios, como endividamentos, compulsões e gastos desnecessários para, por fim, reequilibrar as despesas. 

Veja, abaixo, cinco passos para construir uma relação melhor com o dinheiro:

1. (Re)defina seus objetivos 

Essa aqui já está até batida. Mas quando falamos de finanças, não estamos falando de números, e sim de objetivos. Neste caso, os cálculos e as margens são apenas ferramentas para alcançar sonhos, adquirir bens e ter experiências felizes. Algumas delas serão curtas e intensas, como a viagem dos sonhos, e outras serão duradouras e sutis, como poder dormir todas as noites sem ter que se preocupar com dinheiro.

“Vamos supor que um objetivo financeiro seja quitar uma dívida. Por que é que eu não quero estar endividado? Porque eu quero ter uma vida leve e proporcionar coisas boas para a minha família. Então, o objetivo não é sair da dívida. É ter uma vida melhor”, exemplifica Bazzo. 

2. Quebre os ciclos 

Bazzo explica que o Brasil é um país que viveu por muito tempo com inflação alta e instabilidade macroeconômica. Por isso, a população acabou desenvolvendo alguns costumes com a sua relação com o dinheiro, ainda que o quadro econômico do País tenha mudado muito. O pior é que esses hábitos foram passados de uma geração para outra, mesmo que eles já nem façam mais sentido na condição atual.

“Por outro lado, não dá para ser ingênuo e afirmar que se alguém não conhece a educação financeira, ela não pode aprender”, diz. Assim, é necessário quebrar alguns tabus e enfrentar certos medos na hora de olhar para o próprio bolso. Alguns deles são largar a poupança, começar a guardar uma parcela do salário e começar a investir.

“O medo de investir tem muito a ver com o nosso desconhecimento. Então, se nós não nos movimentarmos proativamente para mudar essas visões perigosas do dinheiro, como a de ‘quanto mais eu ganho, mais eu gasto’. É preciso, sim, um esforço voluntário”, recomenda a especialista.

3. Tenha paciência 

Essa aqui é uma das mais difíceis. Eu sei. Mas se você quer ver o dinheiro virar a solução, e não o problema, vai precisar cultivá-lo através do tempo. Isso vale tanto para gerar patrimônio quanto para se livrar das dívidas

“Um erro muito comum é achar que um problema gerado em dois ou três anos vai ser resolvido em dois ou três meses. Existe um tempo para as coisas se curarem, inclusive quando se fala de dinheiro”, conta. 

4. Pare de se comparar 

Cada um tem sonhos próprios, um caminho traçado, possibilidades adiante e uma condição atual muito particular. Por isso, não faz sentido do ponto de vista financeiro comparar as conquistas próprias com a dos amigos ou dos familiares. 

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Antes de criar uma nova expectativa ou traçar um plano novo para obter algo que outra pessoa tem, é preciso olhar para si e reconhecer as vantagens e desvantagens do seu momento atual. Afinal, você não é todo mundo.

5. Procure ajuda

Quando ficamos doentes sem nenhuma razão aparente, procuramos um médico. Na nossa relação com o dinheiro, é preciso procurar um profissional da mesma maneira quando as coisas saem do controle. 

Bazzo afirma que o trabalho de uma profissional das finanças pessoais pode ser determinante na vida de uma pessoa. Alguns casos mais simples vão requerer buscas de educação na internet para melhorar a relação de alguém com o dinheiro. Situações mais graves podem exigir a ajuda de um planejador, por exemplo.

“Muitas vezes, as dívidas demoram anos para existirem. E, aí, as pessoas entram numa crise real por que tentam resolver sozinha, sem a ajuda de alguém”, exemplifica.

Para quem precisa fazer um planejamento financeiro, a B3 oferece um curso sobre como organizar suas finanças. Na plataforma de educação, também há cursos sobre investimento e muito mais.

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