Organizar as contas

O que toda mãe precisa saber sobre finanças e investimentos

O planejamento financeiro fica mais complexo quando se é mãe. Fazer frente às despesas com saúde, alimentação e educação de uma criança exige organização. Veja dicas para ter uma vida financeira saudável

Mãe e filho. Foto: Omar Lopez/Unsplash
Mãe e filho. Foto: Omar Lopez/Unsplash

Por Marília Almeida

O planejamento financeiro fica mais complexo quando se tem filhos. Uma pesquisa feita pela fintech de educação financeira Plano mostra que, em cidades com mais de 3 milhões de habitantes, uma família com renda mensal entre R$ 7,1 mil e R$ 22 mil gasta de R$ 717 mil a R$ 887 mil por ano para criar um filho até os 18 anos.

Encarar estas despesas exige organização, mesmo para futuras mães que já são investidoras. E quanto às mães que já têm filhos, mas ainda não começaram a investir para a aposentadoria, é bom ficar alerta: pensar em si mesma não é egoísmo. Pelo contrário: é uma proteção para não onerar e até continuar a ajudar filhos e netos no período de aposentadoria ou desemprego.

Veja abaixo as dicas da planejadora financeira certificada pela Planejar, Ana Paula Netto, para mães que desejam dar o exemplo para os filhos de que é possível, sim, ter uma vida financeira mais equilibrada:

1. A reserva de emergência deve ser reforçada

Está planejando ter um filho? O ideal é criar uma reserva financeira ao menos dois anos antes da chegada do bebê.

Já tem uma reserva de emergência equivalente a seis meses de despesas? Pois a indicação é que ela seja reforçada quando há um dependente financeiro, indica Netto. “Recomendo aos meus clientes que o valor seja correspondente a 12 meses de despesas familiares”.

2. Considere gastos com despesas médicas

Futuras mães que não tenham acesso a um plano de saúde e desejam ter a proteção precisam pensar em contratá-lo com antecedência. Isso porque normalmente a carência para partos é geralmente de 300 dias.

“Ter a proteção compensa muito, pois diversos exames e consultas precisam ser feitos ao longo da gravidez”, diz Ana Paula.

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Não é diferente no primeiro ano de vida do bebê. “São diversas idas ao pediatra e exames para acompanhar o desenvolvimento da criança. Terceirizar esses gastos a uma seguradora permite economizar”, conclui a planejadora.

3. Prepare-se para despesas extras

Com a chegada de um filho, gastos com decoração do quarto, berço, banheira, roupas, itens de higiene, fraldas e mamadeiras, juntos, podem pesar bastante no orçamento.

Por isso, o ideal é ter espaço para bancar essas despesas, especialmente no primeiro ano da criança.

4. O orçamento precisa estar em dia

Antes da chegada do bebê, uma mãe precisa saber o quanto ganha, quanto gasta e como gasta.

Criar um filho vai muito além de questões relacionadas a dinheiro, mas é um fato que não ter uma boa saúde financeira afeta a saúde mental e até física, diz Netto.

“Para que possa ser a melhor mãe possível, uma mulher precisa estar bem. Isso inclui sua vida financeira”.

5. Reveja gastos e mude prioridades

Antes dos filhos, mulheres costumam gastar seu dinheiro de uma determinada forma. Após a chegada da criança, é necessário rever gastos, alerta a especialista.

“As despesas vão aumentar, e muito. Portanto, a única forma de manter o equilíbrio é aumentar a renda“.

6. Reserva para educação é um bom investimento

O gasto mais relevante com os filhos costuma ser relacionado à educação. Seja uma escola particular, um curso de línguas ou aulas de reforço.

Caso a mãe deseje ainda arcar com as mensalidades de uma faculdade particular até que o filho comece a dar seus primeiros passos no mercado de trabalho, é bom se preparar para desembolsar valores consideráveis.

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Mas a boa notícia é que, se começar a investir para esse objetivo a partir do nascimento do filho, esse valor pode cair 40%, graças ao efeito dos juros compostos ao longo de 17 anos.

7. Cuidar do próprio futuro é ato de amor

É natural que mães, especialmente nos primeiros anos de vida do filho, abdiquem de sonhos pensando no conforto e desenvolvimento da criança. Mas é necessário refletir que um dia o filho irá crescer e é esperado que se sustente sozinho e construa o seu próprio patrimônio.

Portanto, é importante não descuidar de seus próprios objetivos financeiros, especialmente da aposentadoria. “Uma previdência complementar é essencial para incrementar o benefício do INSS. Se quiser trabalhar na aposentadoria, que seja uma opção, e não uma obrigação”.

8. Ensine educação financeira ao seu filho

Quer que seu filho tenha independência financeira cedo e não cometa erros que possam pressionar o orçamento da família? Dê o exemplo e explique conceitos. “É importante dar um porquinho de moedas e mesada nos primeiros anos de vida para que os filhos entendam o valor do dinheiro”.

No caso de jovens que estão começando a trabalhar, é recomendado alertar sobre os cuidados para não cair no cheque especial e também sobre os produtos financeiros mais adequados para cada objetivo.

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9. Tenha um seguro de vida

Contratar um seguro de vida, especialmente durante os primeiros anos de vida do filho, também é um cuidado importante, especialmente se a mãe for a principal, ou única, provedora.

“O ideal é calcular os gastos que terá com moradia, educação, alimentação e saúde até que a criança atinja a maioridade. Depois, basta buscar uma apólice que cubra esse valor. Conforme o crescimento da criança, é possível rever esses valores e diminuir o peso da proteção no orçamento”, diz a planejadora financeira.

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O mercado oferece seguros de vida que podem ser resgatados em vida. Naturalmente, a apólice será mais cara. “Eles têm uma série de exigências para resgate do valor e em muitos casos não será possível resgatar 100% das contribuições. Porém, são uma opção para mães que desejam resgatar o investimento caso o sinistro não ocorra”.

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