B3 e Polato Sementes realizam primeira operação de CPR pública indexada ao dólar
Operação com CPR captou R$ 137 milhões e foi estruturada pelo Itaú BBA
A B3, bolsa do Brasil, realizou a liquidação da primeira CPR (Cédula do Produto Rural) pública, voltada ao investidor pessoa física, com rentabilidade atrelada ao dólar. A emissão foi realizada pela Polato Sementes, empresa sediada em Rondonópolis, no Mato Grosso, que produz e comercializa sementes, grãos e fibras de alta qualidade.
A operação foi estruturada pelo Itaú BBA e constituiu na emissão de CPR-F no valor de R$ 137 milhões, dividida em duas séries. O diferencial desta operação foi a indexação em moeda estrangeira, com juros remuneratórios pré-fixados somados à variação da cotação da taxa de fechamento, para venda, do dólar comercial norte-americano (PTAX800).
“Neste ano celebramos 45 anos de trajetória da companhia e, ao longo dessas décadas, acompanhamos o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e aprendemos que crescimento sustentável não acontece por acaso, ele é resultado de visão de longo prazo, disciplina e capacidade de adaptação. Este momento vai muito além de uma operação financeira inovadora, ele representa a capacidade de uma empresa familiar de preservar suas raízes enquanto se prepara para novos desafios, representa a força do agronegócio conectado aos mercados globais e a confiança que o mercado deposita na nossa companhia”, comenta Orlando Henrique Polato, CEO da Polato Sementes.
“A possibilidade de captação com correção cambial via CPR veio em 2020 com a revisão da Lei do produto. Essa é a primeira vez que a flexibilidade é utilizada em uma oferta pública, e esse movimento amplia as possibilidades tanto para empresas quanto para investidores, criando uma nova alternativa de captação e de investimento”, afirma Leonardo Betanho, superintendente de produtos de Balcão da B3.
A B3 atua como registradora de CPRs e é líder no segmento. Nas operações de CPRs públicas, também atua como depositária e é responsável pela infraestrutura para as distribuições no mercado primário.
Desde agosto de 2025, quando o modelo passou a ser utilizado, a B3 já registrou 25 emissões de CPRs voltadas para investidores pessoas físicas que somaram R$ 15,4 bilhões.
O que é CPR?
Criada pela Lei Nº 8.929 de 1994, a CPR é um título representativo de promessa de entrega futura de produto agropecuário e pode ser emitida pelo produtor rural ou suas associações, inclusive cooperativas. Atualmente, este é o principal instrumento para financiamento da cadeia produtiva do agronegócio, pois permite ao emissor obter recursos para o desenvolvimento de suas produções rurais ou empreendimentos.
A CPR é um título negociável em mercado de balcão organizado e pode ser emitido em duas modalidades: CPR Física, quando a liquidação acontece por meio da entrega do produto pelo emitente na quantidade e qualidade descritas na cédula, e CPR Financeira, modalidade criada pela Lei Nº 10.200 de 2001, que tem o pagamento por meio de liquidação financeira, com vencimento e valor descriminado na cédula.
Desde 2021, as CPRs, sejam financeiras ou físicas, devem ser registradas em uma entidade autorizada pelo Banco Central, como a B3, para terem validade e eficácia.
Tradicionalmente, a CPR é um produto utilizado em negociações bilaterais, entre produtores rurais e cooperativas, por exemplo, ou servem como lastro para a emissão de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). Em agosto de 2025, a CPR Financeira passou a ser ofertada também para investidores pessoa física.