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Em Davos, CEO do JP Morgan fala sobre IA, geopolítica e faz um alerta sobre a nova ordem global

Jamie Dimon alerta para os impactos acelerados da IA, os riscos geopolíticos acumulados e a urgência de coordenação global para evitar rupturas na nova ordem econômica

Em 2026, as discussões durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, têm sido dominadas pelas tensões internacionais e disputas comerciais. Nesse contexto, Jamie Dimon, Chairman e CEO do JPMorgan Chase, se posicionou a respeito de diversos temas que têm mudado o mundo.

O executivo tratou de inteligência artificial e futuro do trabalho, riscos geopolíticos e rearranjos na ordem global, defendeu uma OTAN mais forte, uma Europa menos burocrática e a necessidade de coordenar respostas de governos e empresas para uma economia que se transforma mais rápido do que as sociedades conseguem absorver. Dimon também reiterou que se vê como um “globalista”, e defendeu a importância de manter o Ocidente coeso num cenário de incerteza.

IA e trabalho: “retreinar, adaptar e agir rápido”

Para Dimon, a adoção de IA vai eliminar alguns empregos, mudar muitos e criar outros – uma transformação comparável a grandes ondas industriais. A diferença, diz, é a velocidade: se empresas e países não se moverem “melhor e mais rápido”, perderão terreno para seus concorrentes.

Segundo ele, cabe a governos e companhias planejar o retreinamento e proteger a renda da população durante a transição, inclusive avaliando incentivos para evitar demissões bruscas enquanto a sociedade se ajusta.

A mensagem central é: este ajuste já começou dentro das corporações, e quem não acompanhar a curva da tecnologia ficará para trás.

Risco geopolítico é “cumulativo”

Dimon descreveu os riscos geopolíticos como cumulativos e lembrou que a invasão da Ucrânia pela Rússia “abriu os olhos” do mundo para um ambiente menos seguro.

A resposta para o novo cenário, em sua visão, passa por fortalecer a OTAN, reduzir barreiras burocráticas na Europa e manter o Ocidente unido – um chamado à cooperação que ecoou no tom das discussões em Davos 2026, marcadas por tensões com a Europa.

China, comércio e a ordem pós-guerra: “o mundo mudou, não é binário”

Questionado sobre “o fim da ordem do pós-guerra”, Dimon evitou soluções fáceis: o mundo mudou, mas não é binário, disse. Ele refutou a ideia de que a China seja “a grande vencedora” do momento.

Segundo ele, há importantes avanços do gigante asiático, mas as questões quanto ao consumo interno e a alocação de capital limitam o potencial de curto prazo.

Ao mesmo tempo, sustentou que os Estados Unidos seguem defendendo seus aliados, indo contra a visão de que os EUA tenham se tornado um país não-confiável.

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A importância da independência do Fed

Dimon reiterou que a importância de manter o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) independente é consenso no mercado – “inclusive para Trump”, disse.

Economia dos EUA: resiliência com assimetrias

Dimon avaliou que a economia americana tem sido “incrivelmente resiliente”, com inovação robusta no centro do desempenho recente. Ao mesmo tempo, defendeu que a política econômica precisa funcionar para todos: segundo ele, as rendas mais altas avançaram muito mais, enquanto as camadas de menor renda estariam “voltando ao normal” apenas agora.

Segundo ele, essa resiliência é fruto do dinamismo do setor privado, mas ele advertiu que respostas públicas mal calibradas podem gerar efeitos colaterais amplos.

Limitar o juro do cartão de crédito seria “desastre econômico”

Ao ser questionado sobre a proposta de limitar os juros do cartão de crédito em 10%, Dimon classificou a medida como um “desastre econômico”, afirmando que até 80% dos americanos poderiam perder acesso ao crédito.

Segundo o executivo, os impactos iriam muito além dos bancos: restaurantes, varejistas, companhias aéreas, empresas de viagem, escolas e até municípios sofreriam com a queda no consumo e a restrição do crédito.

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