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Varejo: quais empresas tiveram maior variação de lucro e receita nos últimos 3 anos

Empresas do setor de varejo vêm sofrendo nos últimos anos, primeiro com a pandemia e depois com juros altos

Corredor de armazém com prateleiras de caixas. Foto: Pixabay
A empresa Le Biscuit (LLBI3), com alta de 332,9% na receita líquida, foi o maior destaque no período levantado. Foto: Pixabay

O varejo é um dos principais setores da economia brasileira e tem papel essencial na geração de riqueza do País. Contudo, é considerado também um dos setores mais cíclicos do mercado, e o resultado das empresas pode variar bastante. 

Um levantamento da Quantum Finance mostrou a variação de Receita e Lucro/Prejuízo das empresas do setor de varejo listadas em bolsa. O período considerado foi do 1º trimestre de 2021 ao 1º trimestre de 2024. Confira!

Mas antes, um lembrete importante: o cenário mundial do começo do período levantado, em 2021, era de pandemia. A crise de saúde se transformou em crise econômica em diversos setores — e as empresas de varejo estão entre as que mais sentiram.

Variação de Receita Líquida das empresas de varejo na bolsa

EmpresaΔ 1T24/1T21 %
LE BISCUIT ON – LLBI3332,90%
ENJOEI ON NM – ENJU3153,90%
VIVARA S.A. ON NM – VIVA3104,20%
LOJAS RENNER ON NM – LREN384,00%
GRUPO SBF ON NM – SBFG384,00%
GRAZZIOTIN ON – CGRA359,30%
TECHNOS ON NM – TECN358,40%
QUERO-QUERO ON NM – LJQQ335,10%
ALLIED ON NM – ALLD325,90%
MAGAZ LUIZA ON NM – MGLU312,00%
MOBLY ON NM – MBLY3-14,20%
CASAS BAHIA ON NM – BHIA3-15,90%
LOJAS MARISA ON NM – AMAR3-100,00%
Fonte: Quantum Finance

A empresa Le Biscuit (LLBI3), com alta de 332,9% na receita líquida, foi o maior destaque no período levantado. Ela foi seguida por Enjoei (ENJU3) e Vivara S.A. (VIVA3), que tiveram variação positiva de 153,9% e 104,2%, respectivamente.

Entre os destaques negativos na receita, estiveram Lojas Marisa (AMAR3), Casas Bahia (BHIA3) e Mobly (MBLY3), com desempenho negativo em 100%, 15,9% e 14,2%, nesta ordem.

Variação de Lucro/Prejuízo das empresas de varejo na bolsa

EmpresaΔ 1T24/1T21 %
VIVARA S.A. ON NM – VIVA3815,20%
QUERO-QUERO ON NM – LJQQ3364,40%
ALLIED ON NM – ALLD38,10%
LE BISCUIT ON – LLBI3-8,80%
MOBLY ON NM – MBLY3-16,50%
GRAZZIOTIN ON – CGRA3-59,60%
ENJOEI ON NM – ENJU3-69,10%
MAGAZ LUIZA ON NM – MGLU3-89,20%
LOJAS MARISA ON NM – AMAR3-100,00%
LOJAS RENNER ON NM – LREN3-194,30%
GRUPO SBF ON NM – SBFG3-204,80%
CASAS BAHIA ON NM – BHIA3-245,00%
TECHNOS ON NM – TECN3-246,30%
Fonte: Quantum Finance

Já em relação à variação do Lucro/Prejuízo das empresas de varejo, apenas 3 tiveram desempenho positivo no período dos três anos levantados. Vivara (VIVA3) teve aumento de 815,2%, Quero-Quero (LJQQ3), de 364,4%, e Allied (ALLD3), de 8,1%.

Nos destaques negativos estão Technos (TECN3), Casas Bahia (BHIA3) e Grupo SBF (SBFG3) com variação negativa do Lucro/Prejuízo em 246,3%, 245% e 204,8%, respectivamente.

Cenário atual do setor

Após o período de pandemia, outros fatores têm prejudicado o setor de varejo, como a conjuntura econômica de juros ainda elevados, falta de confiança dos investidores e necessidade de crédito

“Temos visto um impacto macroeconômico muito grande de forma geral para o varejo, mas principalmente para aqueles segmentos mais dependentes de crédito e o e-commerce é o principal. Vemos a deterioração das expectativas para inflação e aumento das projeções para a taxa Selic”, afirma a analista da Levante Inside Corp, Caroline Sanchez.

Outro ponto que afetou o setor foi o caso Americanas, que colocou as grandes varejistas nos holofotes. Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating, afirma que as redes demonstram problemas e sofrem com a taxa de juros real elevada, que deve permanecer, segundo as indicações do Bacen. 

“Olhando uma classificação de análise de balanço, [em notas que vão de AA até H], hoje a maior parte das varejistas está na parte de baixo: E, F e H. Ou seja, de altíssimo risco”, afirmou Agostini durante o Fórum MoOve On 2024.

Agostini também avaliou o risco corporativo indiretamente, através dos balanços que vêm sendo divulgados. “Infelizmente é uma fotografia muito ruim. E com uma dificuldade de performance. Inclusive, algumas famílias que são [acionistas] majoritárias dessas empresas terão que fazer aportes pela sobrevivência das companhias e, cada vez mais, nós vamos ver Recuperação Judicial e negociações com credores”, alerta.

Desempenho das ações varejistas nos últimos 12 meses

O levantamento da Elos Ayta Consultoria demonstra como as ações de varejo têm sofrido nos últimos meses, com apenas 4 apresentando alta nos papéis. Confira!

Perspectivas para o setor

Segundo Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a tendência do setor de varejo de bens na bolsa depende das expectativas de vendas do setor.

“O indicador IBEVAR – FIA aponta para crescimento de 0,5% no período junho-agosto. No conceito de varejo ampliado a expansão é maior, ou seja, 1,1%”, destaca.

De acordo com Angelo, constata-se uma evolução positiva para quase todos os segmentos. Apenas para três ramos, projeta-se estabilidade: material de escritório, combustíveis e alimentos.

“Para todos os demais estima-se crescimento, embora discreto: artigos de uso pessoal (4,9%), tecidos e vestuário (4,5%), veículos e autopeças (4,2%), material de construção (3,0%) e móveis e eletrodomésticos (1,8%), artigos farmacêuticos (1,1%) e livros e papelaria (0,1%)”.

Para ele, esse resultado é obviamente positivo. “O crescimento é explicado principalmente pela expansão da massa real de pagamentos desde meados de 2022. Portanto, espera-se uma melhora do desempenho das varejistas na Bolsa”.

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