Tipos de investimentos

Quina de São João: quanto rende o prêmio de R$ 260 milhões na renda fixa, ações e FIIs?

O rendimento mensal pode variar de R$ 1,3 milhão e pode chegar a R$ 3,87 milhões por mês

A Quina de São João 2026 chega com o maior prêmio de sua história: R$ 260 milhões para quem acertar as cinco dezenas sorteadas no domingo (28/6) às 14h.

As apostas encerram no dia 27 de junho, às 22h. É possível jogar a partir de R$ 3 para cada aposta simples, nas casas lotéricas credenciadas, pelo aplicativo ou pelo site das Loterias Caixa. Há ainda a opção Surpresinha para quem prefere que o sistema escolha automaticamente os números.

Para apostar, basta marcar de 5 a 15 números dentre os 80 disponíveis.

Mas afinal, o que fazer com R$ 260 milhões? Muito além de gastos com consumo, especialistas apontam estratégias para garantir uma renda extra mensal com este dinheiro.

Na renda fixa, por exemplo, o valor investido poderia ter um rendimento bruto de até R$ 2,96 milhões. Já em ações que pagam dividendos, a renda extra mensal chega a R$ 3,87 milhões. E nos fundos imobiliários, o rendimento mensal médio de uma carteira seria de R$ 2,49 milhões.

O Bora Investir fez algumas simulações e consultou especialistas sobre as alternativas. Veja abaixo:

Na renda fixa: segurança e rendimento considerável

A planejadora financeira Luciana Ikedo fez simulações de quanto renderia mensalmente o prêmio da Quina de R$ 260 milhões em diversos ativos da renda fixa. Foram considerados o rendimento bruto e líquido de títulos como Poupança, Tesouro Direto, CDBs (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letras de Crédito Imobiliário), entre outros.

No ativo mais conservador, a caderneta de poupança, os R$ 260 milhões renderiam R$ 1,3 milhão por mês. Já o maior retorno seria de um CDB com rentabilidade de 120% do CDI (principal indicador da renda fixa), onde o prêmio garantiria uma renda extra de R$ 2,96 milhões brutos e R$ 2,29 milhões líquidos. Foi levado em conta o pagamento de imposto de renda de 22,5%, considerando um prazo de investimento de até 180 dias.

Investimento Taxa Mensal Bruta Rendimento Mensal Bruto Taxa Mensal Líquida Rendimento Mensal Líquido 
Poupança 0,50% R$ 1.300.000,00 0,50% (isenta) R$ 1.300.000,00 
LCI/LCA (90% CDI) 0,858% R$ 2.231.581,81 0,858% (isenta) R$ 2.231.581,81 
CDI / Tesouro Selic (100%) 0,95% R$ 2.470.000,00 0,74% R$ 1.914.250,00 
CDB 105% CDI 0,998% R$ 2.594.800,00 0,773% R$ 2.010.970,00 
CDB 110% CDI 1,039% R$ 2.701.400,00 0,805% R$ 2.093.585,00 
CDB 120% CDI 1,14% R$ 2.964.000,00 0,884% R$ 2.297.100,00 
CDB Prefixado 12% a.a. 0,95% R$ 2.470.000,00 0,74% R$ 1.914.250,00 
CDB Prefixado 13,2% a.a. 1,039% R$ 2.701.400,00 0,805% R$ 2.093.585,00 
Tesouro Prefixado 12% a.a. 0,95% R$ 2.470.000,00 0,74% R$ 1.914.250,00 
Tesouro IPCA+ 8% (c/ IPCA de 4,15%) 0,96% R$ 2.496.361,40 0,744% R$ 1.934.400,00 

À primeira vista, a poupança seria a pior escolha da lista, se considerado os rendimentos. Mas Luciana Ikedo vai além dos números. Para a planejadora financeira, a escolha dos ativos depende muito mais do perfil do investidor do que da rentabilidade isolada. “A primeira variável a ser considerada na escolha dos ativos é sempre o perfil do investidor, seus objetivos financeiros e o prazo em que pretende utilizar esse recurso. No caso de um ganhador da Quina de São João, a prioridade não seria buscar altas rentabilidades, mas sim preservar o patrimônio, gerar renda e manter uma reserva com liquidez”, afirma.

Luciana também faz um alerta importante para quem, um dia, ganhar uma quantia considerável de dinheiro. “Muitas pessoas acreditam que, ao receber uma quantia milionária, precisam investir tudo imediatamente. Porém, a primeira recomendação é não tomar decisões por impulso e construir uma carteira diversificada”, aconselha.

Com esse raciocínio, Luciana elegeu três produtos para compor a carteira ideal de um ganhador da Quina.

LCI e LCA — R$ 2.231.581,81 por mês, sem IR As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio renderiam 90% do CDI, equivalente a 10,8% ao ano ou 0,858% ao mês, já livres de Imposto de Renda. “Com a nova tributação da renda global, esses produtos ganham ainda mais relevância, pois permanecem isentos do Imposto de Renda adicional para rendas anuais superiores a R$ 600 mil”, explica a planejadora.

Tesouro IPCA+ 8% — R$ 1.934.400,00 por mês (líquido) O título público indexado à inflação mais uma taxa real de 8% ao ano renderia 0,96% bruto ao mês, ou 0,744% líquido após a alíquota de 22,5% de IR, gerando R$ 1.934.400,00 mensais. “Como sua rentabilidade está atrelada à inflação, ele ajuda a preservar o poder de compra do dinheiro ao longo dos anos, algo essencial quando falamos de um prêmio dessa magnitude. Atualmente, os títulos também apresentam prêmios bastante atrativos para quem pensa no futuro”, destaca Luciana.

CDB atrelado ao CDI — R$ 1.914.250,00 por mês (líquido) Com rendimento de 0,95% bruto ao mês e 0,74% líquido, o CDB de 100% do CDI não é a opção mais rentável, mas cumpre um papel estratégico essencial: a liquidez. “Como as LCIs e LCAs possuem prazo mínimo de liquidez de nove meses e o Tesouro IPCA+ é um investimento pensado para o médio e longo prazo, o CDB cumpriria a função de garantir liquidez para despesas, projetos pessoais e oportunidades que possam surgir, sem a necessidade de resgatar os demais investimentos antes do prazo ideal”, conclui a planejadora.

Dividendos: maiores pagadoras da bolsa rendem R$ 3,87 milhões por mês

Para investidores que possuem um perfil mais arrojado, Fabio Sobreira, gestor e analista da Rocha Opções de Investimentos, simulou quanto renderiam os R$ 260 milhões em uma carteira formada pelas 5 maiores pagadoras de dividendos dos últimos cinco anos. A métrica utilizada foi o dividend yield médio destas ações.

Os R$ 260 milhões foram divididos igualmente: 20% para cada papel, ou seja, R$ 52 milhões por ação. O resultado seria uma renda mensal de R$ 3.87 milhões com esta carteira e anual de R$ 46.49 milhões.

Ação DY Médio (5 anos) Investimento Rend. Mensal Rend. Anual 
PETR4 (Petrobras) 27,83% R$ 52.000.000 R$ 1.205.966,67 R$ 14.471.600,00 
BRAP4 (Bradespar) 19,63% R$ 52.000.000 R$ 850.633,33 R$ 10.207.600,00 
GRND3 (Grendene) 16,02% R$ 52.000.000 R$ 694.200,00 R$ 8.330.400,00 
UNIP6 (Unipar) 13,15% R$ 52.000.000 R$ 569.833,33 R$ 6.838.000,00 
LEVE3 (Metal Leve) 12,79% R$ 52.000.000 R$ 554.233,33 R$ 6.650.800,00 
DY Médio / Rendimento Total 17,88% R$ 260.000.000 R$ 3.874.866,67 R$ 46.498.400,00 

Fabio reforça que essas empresas não pagam bons dividendos por acaso. Muitas destas ações se destacam por terem modelos de negócio que favorecem a distribuição de lucros. Veja fundamentos e riscos de cada papel:

Petrobras (PETR4) pode render R$ 1,205 milhão ao mês

A petroleira é a campeã de dividendos da lista por ter um dos menores custos de extração no pré-sal. Isso significa que mesmo se o preço do petróleo Brent cair, a companhia continua gerando muito caixa.

“Como o negócio de extração já está maduro e bem estabelecido, sobra muito dinheiro para distribuir aos acionistas”, explica Sobreira. Já o ponto de atenção é o risco político, com o governo como controlador que pode mudar a política de dividendos e de combustíveis a qualquer momento, além de oscilações no dólar e preço do barril brent.

Na Bradespar, o investidor pode ter um retorno mensal de R$ 850 mil com dividendos. A holding é um veículo de fácil acesso aos dividendos da Vale, porque detém ações da mineradora e repassa os proventos recebidos aos investidores com custos operacionais quase zero. Contudo, Sobreira alerta que carrega dependência total do minério de ferro e da economia chinesa.

Na fabricante de calçados Grendene, o retorno mensal seria de R$ 694 mil. A fabricante de Melissa e Ipanema tem caixa bilionário e não precisa de grandes investimentos em expansão, o que transforma quase todo o lucro em dividendos. Mas o risco, segundo o analista, seria pela sensibilidade do setor de varejo calçadista à inflação e ao poder de compra dos consumidores.

Já a Unipar, líder isolada em cloro, soda cáustica e PVC na América do Sul, opera numa posição de quase monopólio que garante geração de caixa robusta, mas está sujeita a ciclos globais de commodities químicas e ao custo elevado de energia elétrica.

Por fim, Sobreira cita a Mahle Metal Leve. A companhia é líder em autopeças, exporta em dólar e distribui quase todo o lucro ano após ano. Mas um fator de risco seria o avanço dos carros elétricos, que demandam cada vez menos peças mecânicas.

“Todas essas empresas são geradoras de caixa excepcionais hoje, o que justifica o histórico brilhante de dividendos. No entanto, para o longo prazo, a diversificação é fundamental para blindar a carteira contra as viradas de ciclo de commodities e mudanças tecnológicas”, destaca o gestor da Rocha Opções de Investimentos.

Nos FIIs: rendimento constante mensal mas moderado

Para o investidor que gosta do mercado imobiliário, uma alternativa seria investir o prêmio de R$ 260 milhões em Fundos Imobiliários, garantindo um rendimento mensal, sem as dores de cabeça de ser proprietário, gerir inquilinos ou pagar condomínio.

O especialista em FIIs, Felipe Sousa, simulou para o Bora Investir, o rendimento do prêmio da Quina em uma carteira diversificada com 5 fundos que se destacam pelos seus fundamentos e rendimentos.

Esta carteira entregaria uma renda extra mensal de R$ 2,496 milhões ao ganhador, com um retorno em proventos de 1,02% ao mês. Nos últimos 12 meses, estes fundos teriam entregado um dividend yield de 12,75%.

Vale lembrar que os rendimentos de FIIs são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Os R$ 260 milhões foram divididos igualmente entre os cinco fundos, cerca de R$ 52 milhões aplicados em cada um, com o número de cotas calculado a partir da cotação atual de cada papel:

Fundo DY Mensal DY 12M Cotação Proventos/cota Rend. Mensal Nº de Cotas Financeiro Alocado 
XPML11 (XP Malls) 0,89% 10,72% R$ 103,01 R$ 0,92 R$ 464.420,60 504.805 R$ 51.999.963,05 
KNCR11 (Kinea Recebíveis) 1,03% 13,56% R$ 107,21 R$ 1,10 R$ 533.531,90 485.029 R$ 51.999.959,09 
KNHF11 (Kinea Hedge Fund) 1,06% 12,75% R$ 94,10 R$ 1,00 R$ 552.603,00 552.603 R$ 51.999.942,30 
TRXF11 (TRX Real Estate) 1,02% 12,95% R$ 91,21 R$ 0,93 R$ 530.204,16 570.112 R$ 51.999.915,52 
BTLG11 (BTG Logística) 0,80% 9,41% R$ 101,40 R$ 0,81 R$ 415.384,20 512.820 R$ 51.999.948,00 
Total / DY Carteira 1,02% 12,75% — — R$ 2.496.143,86 — R$ 259.999.727,96 

O fundo imobiliário que mais paga nesta carteira é o KNHF11, com dividend yield mensal de 1,06% e exposição a imóveis físicos, CRIs e outros FIIs.

Na sequência tem o KNCR11, com DY de 1,03% ao mês, que segundo Sousa é o maior fundo de recebíveis do Brasil, com mais de R$ 10 bilhões em patrimônio. “Tem perfil defensivo em um ambiente de juros elevados”, afirma o especialista.

O TRXF11 é um dos maiores fundos da indústria, com especialidade em renda urbana misturando logística, lajes e shoppings, com histórico de ganho de capital. Já o XPML11 é o maior fundo de shoppings do Brasil, com alta previsibilidade de rendimentos e gestão de referência no segmento.

Por último, o BTLG11 apresenta o menor dividend yield da lista, de 0,80% ao mês, mas é sólido operacionalmente, segundo Sousa. O fundo investe em imóveis próximos às capitais, focado em logística e com ampla diversificação de locatários e contratos acima da inflação.

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