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“Cenário global é promissor para o Brasil”, diz Gilson Finkelsztain, da B3

Para o CEO da B3, a Bolsa de Valores do Brasil, o mercado brasileiro de capitais vive uma oportunidade única

Presidente da B3, Gilson Finkelsztain de braços cruzados em frente ao painel de ações da bolsa de valores.
Gilson Finkelsztain é presidente da B3 desde 2017. Foto: Cauê Diniz

Por Guilherme Naldis

Antes de ser B3, a Bolsa de Valores do Brasil se chamava Bovespa. A instituição secular passou mais de dez anos estagnada no patamar de 500 mil investidores, sem conseguir aumentar a quantidade de pessoas físicas posicionadas no mercado de capitais. Em 2017, a empresa mudou de nome e investiu em uma campanha de educação financeira e democratização dos investimentos. O resultado é que, em setembro de 2023, a B3 já conta com 4,8 milhões de pessoas investindo só em renda variável, afirmou o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, durante evento promovido pelo Bora Investir e pelo Estadão.

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“A gente ainda tem um potencial muito grande. O Brasil tem 200 milhões habitantes, e cerca de 5 milhões de investidores: só 2% da população investe na bolsa. Há muito espaço para desenvolvimento do mercado de capitais”, disse. Por isso, o CEO reafirmou a necessidade de intensificar e continuar os projetos de simplificação das finanças e expansão da educação financeira.

Por que o mercado brasileiro está em expansão?

Segundo Finkelsztain, a expansão do mercado de capitais nacional, nos últimos anos, se deve a três fatores principais. O primeiro deles é o ambiente macroeconômico do Brasil, que vem amadurecendo a cada ano, na visão dele. “Isso passa por um fiscal mais responsável, com inflação controlada e juros mais baixos”, disse.

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Depois, vem a digitalização e sofisticação dos investimentos. Segundo ele, o mercado vive um momento de simplificação e de barateamento em razão de novas tecnologias e da tokenização dos ativos. Além disso, várias classes de investimentos estão mais acessíveis para todos os perfis de investidores, graças aos avanços tecnológicos. 

Por fim, ele destaca uma mudança geracional sobre educação financeira, com os mais novos tendo menos medo de investir e com mais vontade gerar renda extra e se preparar para o futuro. Isso tudo se deve a menos traumas e mais iniciativas de educação financeira, como o próprio Bora Investir.

Mais crescimento à vista

O CEO também disse, no mesmo evento, que as perspectivas são de ainda mais crescimento para os próximos anos. Isso porque nosso mercado de capitais está em mudança, e é preciso atrair investimento internacional. Na visão de Finkelsztain, o investidor estrangeiro está pronto para realocar seus recursos no País: só está esperando as incertezas diminuírem.

“O Brasil vive uma janela de oportunidade única: PIB em expansão, inflação em queda, baixa competitividade entre os pares emergentes. Agora, o País pode se reposicionar dentro da classe emergente, visto que perdemos muito nos últimos cinco anos”, concluiu.

Ele destacou que o volume médio diário de negócios com ações em bolsa se estabeleceu acima de 30 bilhões a partir de 2019, o que ajuda o investidor estrangeiro a perceber a bolsa brasileira como uma alternativa.

Nova onda de IPOs

Há mais de 50 empresas se preparando para realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa brasileira, afirmou Finkelsztain. Segundo ele, essas aberturas devem acontecer nos próximos trimestres. Entretanto, o CEO da B3 acrescentou que não sabe quando essa janela tende a se abrir, uma vez que existe um problema de demanda, que depende de discussões sobre o juro, especialmente nos Estados Unidos.

“Mesmo em períodos mais complexos, as boas histórias encontram investidores, que estão atentos e óbvio estão mais restritos, dada as incertezas e o juro. Mas as empresas têm se beneficiado dessa alternativa, mesmo em ano como 2023”, afirmou.

O futuro próximo também deve contar com empresas brasileiras listadas no exterior de volta para o País. Isso porque, em 2018, algumas companhias nacionais decidiram abrir seu capital em bolsas de valores estrangeiras. No entanto, a maioria delas enfrentou custos altos, baixa liquidez e a exclusão dos índices de ações – tanto daqui, quanto de lá.

Finkelsztain explica que o movimento aconteceu em razão do conturbado cenário político e econômico do Brasil naquela época. “Tivemos impeachment, inflação, juros altos… Enquanto lá fora as condições estavam muito diferentes, ainda em razão dos juros baixos decorrentes da crise do Subprime, de 2008”, explicou.

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