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Credit Suisse encolheu US$ 10 bi em 1 ano e agora pede socorro de US$ 54 bi do BC

Instituição anunciou que pedirá socorro de US$ 54 bilhões ao banco central da Suíça. Segundo maior banco do país encolheu 55% desde março de 2022, segundo a TradeMap

Credit Suisse. Foto: Divulgação Twitter.
Credit Suisse: no ano passado, o banco que ainda era o segundo maior da Suíça, começou a passar por um processo de reestruturação mal sucedido. Foto: Divulgação/ Twitter

Por Redação B3 Bora Investir

As ações do Credit Suisse operam no positivo nesta quinta-feira, 16/03, em uma alta próxima de 20%, a 2,05 francos suíços. A melhora veio, em meio a tentativa de reverter o colapso de confiança do mercado, após o comunicado de que a instituição tomará emprestado até 50 bilhões de francos suíços (US$ 54 bilhões) do Swiss National Bank (SNB, o banco central da Suíça).

O Credit Suisse Group chamou a medida de “ação decisiva” para fortalecer e estancar as dificuldades de liquidez. O SNB havia antecipado que poderia ajudar financeiramente o CS, se necessário.

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Ontem, as ações do banco despencaram 24,24% – pela primeira vez na história abaixo de dois francos – após seu principal acionista, o Saudi National Bank, descartar a injeção de mais liquidez na instituição. Os investidores acreditavam que mais um aporte do SNB daria um novo fôlego ao banco suíço. Pesou também na forte desvalorização as falhas no controle de relatórios financeiros. 

O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, explica que o banco central suíço tem reservas de até 100% do PIB e pode tranquilamente socorrer o CS. No entanto, o que impressiona o mercado, é o tamanho da dívida da instituição que está profundamente ligada aos sistemas financeiros da Europa e dos Estados Unidos.

Os mercados não estão em ‘rally’ e sim de lado. As bolsas na Europa e nos Estados Unidos praticamente não subiram. Ou seja, há uma dúvida no mercado se esses US$ 54 bilhões são suficientes, de fato, para salvar o Credit Suisse. Diferente de outros momentos em que tinha um anúncio de socorro e os mercados vão para cima, não estamos vendo nada disso e sim um movimento de cautela”, conclui.

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No comunicado à imprensa, o Credit Suisse afirmou que a iniciativa dará suporte aos principais negócios e clientes do banco. A instituição disse ainda que tomará as medidas necessárias para criar um banco mais simples e focado nas necessidades do cliente.

“Essas medidas demonstram uma ação decisiva para fortalecer o Credit Suisse à medida que continuamos nossa transformação estratégica. (…) Minha equipe e eu estamos decididos a avançar rapidamente para oferecer um banco mais simples e focado nas necessidades do cliente”, disse o CEO Ulrich Koerner no documento.

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O Credit Suisse também informou que comprará de volta alguns títulos de dívida. É uma tentativa de reduzir as despesas com juros e aproveitar os preços mais baixos de seus títulos. A instituição divulgou ainda que as ofertas vão cobrir 10 títulos seniores em dólares americanos no valor de US$ 2,5 bilhões e quatro títulos seniores em euros no valor de 500 milhões de euros (US$ 529 milhões).

As medidas – sem precedentes desde a crise financeira de 2008 – são as maiores até agora para fortalecer as finanças do Credit Suisse.

Perda de valor

A crise de confiança que se instalou no CS, desde que o segundo maior banco da Suíça começou um processo de reestruturação para recuperar os bons resultados, foi medida em números.

Um levantamento da TradMap mostra que em um ano, a instituição perdeu US$ 10,6 bilhões em valor de mercado. Em março de 2022, o banco valia US$ 19,1 bilhões e agora esse valor está em US$ 8,5 bilhões – uma perda de 55,5%.

(US$ – em bilhões) / atualizado em 15/03
Fonte: TradeMap

Relembre

A nova crise bancária do século XXI começou na sexta-feira passada, 10/03, depois do Silicon Valley Bank ter a falência decretada. O banco americano das startups não conseguiu honrar o pagamento de aplicações, após uma corrida dos clientes para resgatá-las. Houve também uma falha na tentativa de levantar o capital da instituição.

No domingo, 12/03, outro banco que estava prestes a entrar em colapso, o Signature Bank, também foi tomado por controladores para garantir aos clientes o saque dos seus recursos.

O economista-chefe na Capital Economics, Andrew Kenningham, afirmou que a crise no Credit Suisse é definitivamente uma preocupação muito pior para o setor financeiro global. Além do banco suíço ser maior, ele tem muitos vínculos com os setores financeiros de outros países.

“O balanço do Credit Suisse é 2,5 vezes maior que o SVB – cerca de meio trilhão de francos suíços – além de ter um elo muito maior com os setores financeiros de outros países. Por isso tem operações nos EUA, em outras partes da Europa e mais amplamente em todo o mundo e terá muitos credores e subsidiárias em outros lugares que potencialmente podem entrar em dificuldades. Portanto, são essas ligações globais que são a verdadeira preocupação”.

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