Organizar as contas

Minimalismo: a filosofia que pode melhorar sua relação com o dinheiro

Além de looks clean e casas branquinhas, o minimalismo promete uma vida com menos gastos e mais momentos bons

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Veja aqui se o minimalismo é para você! Foto/Arte: B3 Bora Investir

Por Guilherme Naldis

O minimalismo está na moda. Você já deve ter ouvido falar sobre ele na decoração para casa ou no vestuário. Porém, mais do que uma tendência estética, a filosofia é um movimento de consumo consciente – que pode ajudar a melhorar sua relação com as finanças.

Não tem nada a ver com vender sua casa e viver pedindo esmolas, nem com se recolher num retiro sem contato com outras pessoas ou com se abster dos prazeres da vida. De acordo com os adeptos, o minimalismo é para quem quer viver bem. 

“Minimalismo tem a ver com aprender o que você precisa e o que te faz feliz e dispensar todo o resto”, afirma Shirleni Moreira, autora do livro Minimalismo na Prática. A escritora aderiu ao estilo de vida há seis anos e conta que sua vida é muito mais leve, desde então.

Ela explica que o minimalismo é um estilo de vida que resiste ao impulso consumista da sociedade em todos os seus aspectos: moda, moradia, locomoção, lazer e, é claro, finanças.

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Quando se escolhe melhor com o que se vai gastar, o dinheiro passa a sobrar. E, assim, surgem novas opções para poupar e investir. E, principalmente, para gastos que, de fato, façam sentido, argumenta a escritora.

O que é ser minimalista nas finanças?

Ser minimalista é ter uma vida simples, diz a escritora. Nela, não é preciso abrir mão de nada. Só dos excessos. O que fica? O que importa (e, claro, cada pessoa tem uma definição sobre isso).

“Não tem fórmula mágica para o minimalismo. Cada um vai ter as suas próprias necessidades e seus verdadeiros desejos. Às vezes, o minimalismo de um é mais mínimo que o do outro”, disse. Isso porque o objetivo deste estilo de vida não é privar ninguém de nada. Pelo contrário: uma pessoa minimalista tem tudo que deseja. A diferença, segundo a escritora, é que o minimalista sabe reconhecer o que, de fato, faz diferença para ele.

Ela afirma que as prioridades pessoais podem, e devem, variar: “quem gosta de viajar, vai viajar com mais frequência. Quem gosta de presentear as pessoas queridas, vai poder presentear mais vezes. Quem gosta de comer bem, vai poder ir a restaurantes mais vezes”.

Por que adotar o minimalismo financeiro?

Dessa maneira, um minimalista pode cortar gastos com seu carro e até vendê-lo. Com o dinheiro da venda, vai comprar uma bicicleta e fazer um curso que queria há muito tempo. Enquanto isso, outro adepto pode comprar o automóvel, que sempre foi seu sonho. No lugar, ele começa a poupar na compra de roupas – e vende as antigas, que já não usa, mantendo somente as peças favoritas.  

No fim das contas, o minimalismo foca em poupar tempo. Ao passo que se dedica menos horas ao que é desnecessário, também se aplica menos dinheiro em coisas supérfluas.

“O minimalismo serve para quem quer liberdade financeira e emocional. É para quem quer se sentir satisfeito com o que tem e parar de sofrer por desejos que não são nossos, mas que foram impostos”, recomenda a escritora.

Como começar a ser minimalista nas finanças?

O primeiro passo para ser minimalista é definir quais são suas prioridades. E, para isso, é preciso autoconhecimento para traçar seus objetivos de vida e o que vai te ajudar a alcançá-los. “Não significa cortar o seu lazer. Mas a verdade é que nós somos incentivados a gastar o tempo inteiro e, muitas vezes, com coisas que a gente não precisa”, pondera Cesar Karam, consultor de investimentos da CMK Empreendedorismo.

Depois, é preciso aprender a viver com o que se tem. Karam afirma que é preciso resistir aos modismos e às propagandas para não se deixar cair em influências que acabam por nos fazer gastar com coisas supérfluas ou, no limite, desnecessárias. Ele exemplifica: por que comprar o modelo de celular mais novo e mais caro se o seu atual ainda funciona bem e atende todas as suas necessidades?

Se esse for um objeto de desejo real, tudo bem. O problema é desejar tudo, sem priorizar nada.

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Por fim, o especialista retoma uma dica que você já deve ter cansado de ouvir, se acompanha o Bora Investir: ter paciência e perseverança nos investimentos. Com aportes regulares e adequados à sua realidade financeira, aliado ao corte de gastos dispensáveis, é possível atingir objetivos financeiros com mais velocidade do que se imagina. 

De pouquinho a pouquinho, um investidor iniciante vai montar sua reserva de emergência, depois a de oportunidade, aí vai variar seu patrimônio e, quando menos esperar, estará com um futuro seguro – e, quem sabe, vivendo de renda.

Prosperidade financeira: o lado oculto do minimalismo

Karam conta que o minimalismo é um aliado fundamental para melhorar sua saúde financeira. Com ele, a relação com o dinheiro pode ser tornar mais simples e, até mesmo, prazerosa.

“A primeira coisa é reduzir tudo ao mínimo possível. Muitas vezes as pessoas vão abrindo contas em bancos conforme trocam de emprego e esquecem de fechar. Quando vão ver, esquecem de pagar as taxas e ficam devendo um dinheirão. Será que não dá pra resumir tudo em uma única conta, que você vai acompanhar sempre? Será que não dá pra ter um único cartão, onde você vai saber quando e onde gastou?”, questiona. 

Reserva de emergência: o que é e como montar a sua?

É preciso, sobretudo, avaliar o que faz sentido ou não para sua realidade. “Eu, por exemplo, gosto muito de viajar e não ligo tanto para dirigir. Então, eu preferi me desapegar da comodidade que é ter um carro, que também traz muitos custos. Quando preciso, eu alugo. Sai muito mais barato e agora eu consigo fazer uma viagem por mês”.

O caso do especialista é, somente, uma das aplicações. Todo e qualquer gasto que seja compulsivo e arbitrário pode ser reduzido e, idealmente, cortado. Mas, os investimentos que geram verdadeiro valor, e que mudam de pessoa para pessoa, podem se beneficiar dos recursos poupados. Quando essas coisas ganham prioridade, avalia Karam, quem se beneficia é a própria pessoa – que está mais feliz.

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

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