Mercado

7 fatos que resumem a penúltima semana de setembro

Mudanças climáticas e política monetária deram o tom da semana

Cédula de dollar dentro de um carrinho de mercado
No mundo inteiro, a semana foi de decisão de juros básicos. Foto: adobe Stock

Por Guilherme Naldis

A semana foi delas: as autoridades monetárias. Alguns dos principais bancos centrais do mundo inteiro fizeram suas reuniões entre a última segunda-feira, 18/09, e sexta-feira, 22/09, para definir as taxas básicas de juros dos seus países. Por isso, agentes do mercado pelo mundo inteiro passaram a  semana na ponta dos pés – não pelas decisões em si, que atenderam ao que era esperado, mas pelo tons dos comunicados e das sinalizações dos dirigentes. 

Ao mesmo tempo, a pauta ecológica foi destaque nos discursos de muitos dos chefes de Estado que marcaram presença na Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) – inclusive o nosso. Relembre!

1. Copom derruba Selic (de novo)

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 20/09, do Banco Central do Brasil (BCB) decidiu baixar a taxa Selic em 0,50%, de 13,25% para 12,75% ao ano. É a segunda vez que o comitê opta por reduzir a taxa com uma queda em 0,50%. Antes disso, o juro básico passou quase um ano no nível dos 13,75%.

A decisão atendeu às expectativas da maior parte do mercado, que já previa um corte neste encontro. Na última edição da pesquisa Focus do Banco Central, o mercado financeiro manteve a projeção de que 2023 deve encerrar com uma Selic a 11,75%. 

Se tudo ocorrer conforme o BCB projetou, com a inflação se comportando e as expectativas se ancorando, a autoridade monetária deve seguir a toada de reduções de 0,50% a cada encontro – e alcançar, assim, a projeção do Focus.

Taxa Selic: entenda como ela afeta seu dinheiro

Mas a decisão não foi a notícia: e, sim, as mensagens que os nove diretores do BCB deixaram no comunicado que informou a nova Selic. O patamar dos juros terminais foi unânime, e os dirigentes destacaram sua preocupação com as metas fiscais estabelecidas pelo Governo Federal e o Ministério da Fazenda.

Com a nova baixa da Selic, o Brasil não é mais o líder global no ranking da Money/You de juros reais – aqueles que descontam a inflação e são alvos das críticas de políticos e empresários. Agora, a liderança é dos nossos primos latinos: o México lidera com 6,61%, depois o Brasil, com 6,40% e, em seguida, a Colômbia, com 5,10%.

2. Como investir com a Selic a 12,75%

Agora que a Selic caiu mais 0,50%, algumas coisas mudaram no mundo dos investimentos. A primeira delas é que a renda variável, num geral, ficou mais interessante já que os ativos deste tipo ficarão menos pressionados: tanto pelos endividamentos, que serão aliviados, quanto pelo consumo da população, que deve aumentar. 

Ao mesmo tempo, a renda fixa ainda conta com juros básicos de dois dígitos e ainda deve permanecer assim, ao menos, até metade do ano que vem. Então, muitos investidores podem pensar que acabou para a renda fixa e que agora é a vez da variável. Afinal, em seu comunicado, o BCB reiterou que o juro básico deve continuar caindo pelos próximos meses, o que tende a reduzir a rentabilidade dos ativos atrelados à Selic e ao CDI.

Mas não é o caso, segundo os especialistas ouvidos pelo Bora Investir. A lógica nunca é de renda fixa ou renda variável, mas de renda fixa e renda variável. O que vai mudar nos diferentes momentos da economia, neste caso, é a proporção de cada uma delas dentro das carteiras. 

Além disso, a taxa de juros interfere diretamente no rendimento de ativos atrelados a ela, como o Tesouro Selic. Em outros investimentos de renda fixa, ela tem influência indireta, como na poupança e nos investimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), como CDB; LCI, LCA e LC. Além disso, ela norteia aportes em Fundos de Investimento e títulos atrelados ao IPCA (índice de inflação oficial do país).

Na renda variável, a influência da Selic é menos imediata e mais ligada à especulação. Por exemplo, uma tendência de alta da Selic pode incentivar investidores mais conservadores a tirar dinheiro da bolsa e aplicar em títulos públicos, atraídos pelos juros mais altos e menor risco. Já possíveis cortes na taxa Selic podem estimular investidores de perfil moderado ou arrojado a investirem mais, por exemplo, em ações. Veja, aqui, onde investir!

3. Sopa de letrinhas monetárias: Fed, BoE e BoJ

Ao redor do mundo, os juros mudaram também, mas não como aqui. Comecemos pelos states, cuja reunião de política monetária foi no mesmo dia que a do Brasil. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), que é o banco central dos EUA, manteve a taxa dos Fed Funds (a Selic americana) no intervalo de 5,25% a 5,50% ao ano A decisão foi unânime e está em linha com as expectativas do mercado.

Já no Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu manter sua taxa básica de juros em 5,25%, após concluir reunião de política monetária na última quinta-feira, 21/09. Segundo a ata do BoE, cinco de seus dirigentes de política monetária votaram pela manutenção do juro básico. As demais quatro autoridades do BC inglês defenderam nova alta de 25 pontos-base da taxa, para 5,5%. A decisão foi descrita como “finamente equilibrada”.

Inflação controlada: como os Bancos Centrais definem a taxa de juros?

Do outro lado do mundo, o Banco do Japão (BoJ) manteve inalteradas as principais referências que balizam a política monetária no país, conforme decisão divulgada na sexta-feira, 22/09. O BC japonês manteve a taxa de curto prazo para depósitos em -0,1% e a meta do rendimento do título público local (JGB) de 10 anos em cerca de zero. O limite máximo dos rendimentos de 10 anos foi mantido em 1%, após o BoJ ter subido o teto de 0,5% para 1% em julho.

Devido às incertezas “extremamente elevadas” na economia global, a autoridade monetária japonesa reiterou que vai seguir “pacientemente” com sua política, ao mesmo tempo em que responderá “com agilidade” à evolução dos preços e das condições financeiras.

4. Lula na ONU

Na conferência anual das Nações Unidas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi aplaudido sete vezes. É tradição que o representante brasileiro faça a abertura do evento, visto que o País foi o primeiro a aderir à união na época de sua formação, em 1945.

Ele iniciou seu discurso expressando seus sentimentos em relação às vítimas do atentado em Bagdá, em 2016, que incluiu o compatriota Sérgio Vieira de Mello, além das vítimas do terremoto no Marrocos e das tempestades na Líbia. Em seguida, ressaltou a importância de enfrentar desafios globais, especialmente a crise climática, que pode não só afetar a vida na terra como trazer prejuízos financeiros severos. 

O presidente destacou a disparidade de riqueza, apontando que os 10 maiores bilionários possuem mais do que os 40% mais pobres da população global e enfatizou a necessidade de erradicar a fome, promover a igualdade de gênero e a inclusão social.

Lula ressaltou os esforços do Brasil na transição para fontes de energia limpa e renovável, destacando a liderança do País nessa área. Além disso, o presidente também falou sobre a importância de reformar as instituições multilaterais para torná-las mais representativas e eficazes. Fora do palanque, o líder brasileiro anunciou, junto do presidente dos EUA, Joe Biden, a criação de um novo marco do trabalho voltado para os novos vínculos empregatícios, como os por aplicativo. 

5. Marco temporal é barrado no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por nove votos a dois, a aplicação da tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas na última quinta. Isso significa que a data da promulgação da Constituição Federal – em 5 de outubro de 1988 – não será utilizada como critério para determinar a ocupação tradicional das terras por comunidades indígenas. A decisão foi alcançada durante o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1017365, um caso que impactará outros 226 casos semelhantes atualmente suspensos, os quais aguardavam esta definição.

O julgamento, que teve início em agosto de 2021, representa um dos marcos mais significativos na história do STF. Estendeu-se por 11 sessões, sendo que duas delas foram dedicadas, exclusivamente, à análise de 38 manifestações das partes envolvidas no processo, terceiros interessados, ao advogado-geral da União e ao procurador-geral da República.

Durante a sessão, representantes de povos indígenas estiveram presentes no Plenário do STF e também em uma tenda montada no estacionamento ao lado do Tribunal. Após o voto do ministro Luiz Fux, que se posicionou contra a tese do marco temporal, houve celebração com cânticos e danças tradicionais dos povos presentes.

6. El Niño faz um Brasil entrar em ebulição

Se alguém ainda tinha dúvida da existência do aquecimento global, 2023 veio comprovar que, sim, o clima está mudando – e para pior. Após a tragédia dos ventos no estado do Rio Grande do Sul, que já fez, ao menos, 49 mortos, o Brasil inteiro enfrentou uma onda de calor sem precedentes, tornando este inverno um dos mais quentes da nossa história.

E a tendência é piorar: a primavera, que começa neste sábado, promete quebrar recordes de temperatura e ser acompanhada por um El Niño muito mais agressivo que a média.

Em poucas palavras, o fenômeno climático é uma alteração na intensidade e na direção dos ventos do mar. Isso traz uma significativa mudança na distribuição da temperatura da água do Oceano Pacífico. Com o mar mais quente nos litorais, as chuvas ficam mais frequentes e intensas, e a temperatura média sobe. 

7. Finanças: economizar é bom, mas nem tanto

E se você acha que guardar dinheiro sempre é bom, o Bora Investir tem boas notícias: às vezes é bom, sim, curtir os prazeres que a grana pode oferecer. Mas não vá achar que estamos te estimulando a torrar tudo, hein?

Nesta matéria, te mostramos como o autoconhecimento pode tornar a sua relação com o dinheiro melhor, além de fazer seus gastos serem mais eficazes e, no limite, mais felizes. 

Mas, se o foco é economizar mesmo, te mostramos como economizar com combustível. Até porque, no orçamento mensal, esse é um compromisso fixo e muitas vezes obrigatório.


Quer saber mais sobre como investir em ações no exterior? Confira este curso gratuito no Hub de Educação da B3!

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.