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Resumo da semana: 7 fatos ou frases que marcaram o mercado financeiro

Da polêmicas das ‘blusinhas’ - com o uso indevido da isenção de US$ 50 para importação por e-commerces - à viagem de Lula a China. Relembre os destaques da semana

A possibilidade das blusinhas, potinhos, presilhas de cabelo, carregadores, dentre tantos outros itens que compramos constantemente na internet ficarem mais caros, gerou uma revolta geral nas redes sociais, rodas de conversas entre amigos, nas mensagens no WhatsApp… a reação foi tanta que o governo teve de recorrer a influencers digitais para apagar o incêndio sobre uma possível taxação de sites internacionais de comércio online.

O “barata voa”, no ditado popular, passou pela equipe econômica e levou o Haddad a dizer que só compra na Amazon. Sobrou até para a primeira dama, Janja, que resolveu divulgar uma foto com o ministro para tentar apaziguar os ânimos durante sua viagem oficial com Lula à China.

No fim, o burburinho todo foi contido pelo governo, que prometeu aumentar a fiscalização e planejar formas de impedir que os e-commerce se aproveitem da isenção de impostos de remessas internacionais de pessoas físicas com valor inferior a US$ 50.

No quesito ‘arcabouço fiscal’, a assinatura da proposta e entrega para o Congresso ficou para a semana que vem. Na economia, o setor de serviços despencou em janeiro – após recorde positivo em dezembro – e o varejo comemorou o aumento nas vendas puxadas por artigos de vestuário e calçados. A inflação, por aqui, desacelerou.

Do outro lado do mundo, Lula encontrou o presidente da China, Xi Jinping. Falou em “aprimorar as relações” com o gigante asiático e trouxe na bagagem 15 acordos comerciais em áreas como tecnologia espacial, agricultura e pecuária. Com discurso contra o dólar como moeda de compra e venda, “bateu” nos Estados Unidos – que viu sua inflação desacelerar um pouco, reflexo dos juros altos.

No mercado de investimentos, a semana foi marcada pelo aumento dos brasileiros poupando em 2022, além das alternativas – como o entretenimento – para auxiliar na disseminação do conhecimento. Com o Leão chegando, as pessoas já se atentam às diversas formas de declarar seus ganhos e investimentos.

Relembre, a seguir, os principais fatos e frases que marcaram a semana:

1. “ESTÁ HAVENDO UMA ESPÉCIE DE CONCORRÊNCIA DESLEAL POR PARTE DE ALGUNS SITES; SERÁ INVESTIGADO E COIBIDO” (Fernando Haddad, ministro da Fazenda)

A frase do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, marca a discussão da semana em torno de uma possível decisão do governo federal de taxar companhias e sites internacionais de comércio online – como Shein, Shopee e Aliexpress. Além de acabar com uma regra fiscal, exclusiva para pessoas físicas, que isenta de impostos as remessas internacionais com valor inferior a US$ 50 (cerca de R$ 250).

O B3 Bora Investir explicou que o intuito do governo é aumentar a fiscalização e planejar formas de impedir que as lojas online se aproveitem dessa isenção concedida às pessoas físicas para não pagar imposto de importação. Via Medida Provisória, o executivo pretende ainda mudar algumas regras como obrigar o exportador a prestar uma declaração antecipada – com mais informações do vendedor, do produto e do comprador no Brasil.

Com as medidas, é esperado um impacto na arrecadação de R$ 8 bilhões ao ano. O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, confirmou que o governo Lula irá “intensificar a fiscalização” sobre o comércio eletrônico, e não mudar a legislação sobre o assunto.

A coluna da Vera Magalhães do jornal ‘O Globo’ explica que o governo precisa estar preparado para evitar ruídos e explicar as escolhas para ampliar receita e viabilizar novo marco fiscal. “A possibilidade de
as blusinhas compradas pela internet ficarem mais caras evidencia um problema que a equipe econômica parece ter subestimado”, afirmou Vera.

Sobrou até para a primeira dama, Janja Lula da Silva que, para tentar abafar a repercussão negativa nas redes sociais, postou uma foto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dizendo “intrigueiros ficarão decepcionados”. Para o Haddad, sobrou a declaração falha e elitista: “não conheço Shein, conheço Amazon, onde compro livro todo dia”.

2. NOVO ARCABOUÇO FISCAL SERÁ ASSINADO E ENVIADO AO CONGRESSO NA SEGUNDA

O ministro-chefe da Casa Civil também confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai assinar o novo arcabouço fiscal na segunda-feira, 17/04 e, no mesmo dia, enviar o texto ao Congresso Nacional. A informação foi confirmada pelo blog da jornalista Ana Flor no G1. Segundo Rui Costa, o presidente se reúne com a equipe econômica e outros ministros para coordenar o caminho do governo a partir da entrega do texto.

Nesta semana, o diretor-adjunto do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nigel Chalk, afirmou que a proposta de um novo arcabouço fiscal brasileiro é positiva no médio prazo e traz metas ambiciosas para o orçamento do governo brasileiro.

As novas regras fiscais vão substituir o teto de gastos que vigora desde o fim de 2016. Mas, afinal, qual a diferença entre a futura regra e a atual? Novas regras limitam crescimento de gastos entre 0,6% e 2,5% ao ano.

3. VENDAS DO VAREJO SOBEM E SERVIÇOS PRESTADOS TEM QUEDA RECORDE

O volume de serviços prestados no país teve queda de 3,1% em janeiro, frente a dezembro, após atingir o pico da série histórica no último mês do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda é a maior da série histórica, que começou em 2012 e foi puxada pela retração nos transportes (-3,7%) e de outros serviços (-9,9%). Segundo o IBGE, as fortes perdas do setor que mais emprega no país são explicadas pela elevada base de comparação.

Já o comércio varejista surpreendeu e teve crescimento de 3,8% em janeiro, maior alta desde o início da série histórica há 23 anos, puxada pelo aumento nas vendas de vestuário e calçados. O entrave para a continuidade do crescimento, no entanto, bate nos juros altos e no cenário de crédito escasso.

4 . “NINGUÉM VAI PROIBIR QUE O BRASIL APRIMORE SUA RELAÇÃO COM A CHINA”, (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil)

A declaração do presidente brasileiro marcou a visita que o chefe de Estado fez a China – em uma viagem estratégica para estreitar os laços econômicos e reconstruir as relações internacionais com o maior parceiro comercial do país.

Lula se encontrou com presidente, Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, sede do governo chinês, na Praça da Paz Celestial. O mandatário da segunda maior economia do mundo, no entanto, preferiu concentrar as suas declarações nas ambições do país e de como o Brasil e o mundo podem se beneficiar do que chamou de “novo paradigma de desenvolvimento”.

Na bagagem, Lula vai trazer a assinatura de 15 acordos comerciais. Dentre os principais estão o lançamento conjunto do sétimo satélite – CBERS-6 – e o protocolo que deve ser seguido pelos frigoríficos brasileiros para exportação de carne para a China. O Brasil é o maior fornecedor dos chineses.

Ainda na viagem, o presidente defendeu o uso de uma moeda alternativa ao dólar no comércio internacional entre os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Os analistas de relações internacionais viram nas declarações um tom desafiador a hegemonia dos Estados Unidos e um alinhamento demasiado as recentes declarações do governo chinês de multipolaridade.

5. INFLAÇÃO NOS EUA: A MENOR EM QUASE DOIS ANOS

No noticiário internacional, o destaque da semana ficou com a desaceleração da inflação nos Estados Unidos que registrou alta de 5%, abaixo da expectativa do mercado de 5,1% e dos resultados de fevereiro (6%) e janeiro (6,4%). A meta de inflação estabelecida pelo Federal Reserve (Fed) é de 2%.

Com a perda de ritmo, aumentou as discussões entre os analistas sobre um possível espaço para o Fed interromper o aumento na taxa de juros, que estava previsto para o próximo mês.

O banho de água fria no mercado financeiro veio com a declaração, no fim da semana, do conselheiro do Banco Central americano, Christopher Waller. A autoridade afirmou que está preparada para aprovar outro aumento da taxa de juros porque os recentes estresses do sistema bancário não produziram uma retração significativa nos empréstimos, enquanto a alta inflação persiste.

6. BRASILEIRO INVESTE MAIS E O ENTRETENIMENTO É O NOVO ALIADO DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Em um momento em que as famílias brasileiras enfrentam a maior taxa básica de juros, Selic, em 13,75% – e uma inflação que começa a desaceleraro número de investidores brasileiros avançou 5% em 2022, com um acréscimo de 8 milhões de pessoas. Apesar do avanço no interesse da população pela educação financeira, o assunto segue como um desafio. Por isso, alternativas surgem para auxiliar nessa disseminação de conhecimento como o entretenimento.

Outro destaque da semana, pelo lado dos investimentos, vem da preocupação das pessoas por ativos que causam impacto positivo em questões sociais e ambientais. Essa classe de investimentos tem sido vista com mais atenção atualmente e devem aumentar ainda mais no futuro. É o que apontou uma pesquisa do Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing entre millennials (geração nascida entre 1981 e 1999). 

7. IMPOSTO DE RENDA: ACERTANDO AS CONTAS COM O LEÃO

O prazo de entrega do Imposto de Renda vai até 31 de maio, mas os trabalhadores do país já começaram a pensar na tão sonhada restituição. O recebimento desse dinheiro é feito por meio de lotes. Neste ano, a Receita Federal irá realizar o pagamento entre 31 de maio e 29 de setembro.

Enquanto o dinheiro não vem, o jeito é começar a juntar a papelada e contar com as dicas do B3 Bora Investir para não errar na hora de preencher a declaração. Nesta semana, duas reportagens especiais ajudaram os contribuintes a declarar corretamente os planos de previdência privada; e os investimentos no exterior.

Quer saber mais sobre investimentos e finanças? Acesse os conteúdos gratuitos do Hub de Educação Financeira da B3.